quinta-feira, 12 de junho de 2014

Oh Meus Deus Serra da Estrela - Versão Light K25

No dia 01 de Junho parti rumo as tão desejosas férias. Metade programadas para a Serra, incluído a prova OMD, e metade programadas para a Praia :) Perfeito. Iamos aproveitar a semana na Serra para passear e para nos habituarmos a altitude. Ficamos instalados na Pousada da Juventude das Penhas da Saúde, a 1400 m de altitude e começamos o passeio. Conheço pouco da Serra da Estrela e por isso lá seguimos para o Xico me mostrar alguns sítios interessantes. Fomos a Belmonte e demos um salto a Torre para ver como estava o ambiente. Da última vez que estive na Serra foi impossível subir a Torre por causa do tempo mas desta vez consegui finalmente chegar ao Ponto mais alto de Portugal Continental.


Nesta foto consegue ver-se a Garganta da Loriga local por onde passariam os participantes dos K70, K100 e 100 Milhas. Da torre não dá para ter a percepção do local. Só tive consciência da grandeza do sítio uns dias depois quando fui até Loriga.
No dia seguinte fizemos o primeiro treino suave na Serra. O Xico não se queria cansar muito uma vez que iria fazer a sua primeira prova na distância de K70. Queríamos fazer uma caminhada dos Piornos até a Varanda dos Pastores, que é um miradouro natural sobre a Cova da Beira. Quem já visitou sabe como a vista de lá é maravilhosa mas para mim teve de ficar para outra vez. É que o percurso pedestre até lá não está devidamente assinalado e deixamos de ver trilhos e mariolas. Ainda tentamos continuar por nossa conta uma vez que o Xico conhecia o local mas tivemos de desistir uma vez que começamos a enfiar os pés em vegetação que parecia seca e fofa mas que por baixo tinha água gélida, ainda restos do gelo recém derretido. Optamos por voltar para trás mas não resisti a transformar a caminhada numa corrida de regresso ao ponto de partida para ver como o meu corpo reagia a altitude em esforço.E de facto é diferente.


O tempo também não estava nos seus melhores dias pelo que aqui esta a foto possível.



No dia seguinte resolvemos ir até Piódão, uma aldeia histórica, muito bonita, mas para chegar da Covilhã lá demora-se uma eternidade porque a estrada cheia de curvas passa por um sem fim de terras com 2 ou 3 casas. Nesse passeio tivemos obrigatoriamente de passar pela Torre e ai começamos a tomar consciência do que se aproximava… Vimos a primeira bandeira que assinalava a passagem do OMD…

Torre

A partir desse momento em quase todas as localidades onde passávamos encontrávamos fitas de marcação de percurso. Estavam a seguir-nos… Ou seriamos nos que estávamos a ser atraídas para elas?? O que é certo é que senti alguma inveja por saber que a minha prova infelizmente não iria passar por esses locais magníficos. O que estava programado é que a prova de K20 seria um percurso maioritariamente em estradão desde Gouveia a Seia pelo que não passaria por nenhum dos sítios onde avistei as fitas…
Nesse dia ainda houve tempo para um treino leve das Penhas da Saúde até aos Piornos com cerca de 200m D+ em mais ou menos 2 Km. Estava muito vento e muito frio.

Tinha ouvido que o tempo iria piorar na sexta-feira e fiquei um pouco preocupada uma vez que o mau tempo poderia ser prejudicial a prova tendo em conta a instabilidade que se poderia encontrar na Torre. A preocupação não era comigo mas por todos aqueles que iam iniciar a prova as 16h de sexta (100 Milhas) e 00h de sábado (100 Km).
Nesse dia resolvemos ir a Unhais da Serra ao Medical Spa do H2otel para relaxar. Mal acordamos e abrimos a cortina vimos que estava um nevoeiro cerrado. Não se via um palmo a frente do nariz. Pensei positivamente que pela tarde o nevoeiro levantaria e ficaria um sol radioso. Aproveitamos o Aquadome (o Spa) durante toda a manhã e almoçamos também em Unhais mas o tempo não parecia melhorar. Pese embora o nevoeiro tivesse levantado uma chuva miudinha parecia instalar-se. E de facto foi isso que aconteceu. A chuva não parou até de noite. Fui sabendo notícias da prova pelo Facebook do evento e percebi que quem tinha chegado primeiro a Loriga tinha sido o Luís Mota e a seguir o brasileiro Oraldo Romualdo. A partir dessa notícia não consegui saber mais nada. Só esperava que tudo corresse pelo melhor a todos os participantes. Dormi bastante mal com pensamentos sobre o que poderia estar a acontecer aos atletas que já tinham iniciado a prova e com o barulho assustador do vento.

Tivemos de acordar bastante cedo no sábado porque o nevoeiro continuava e tínhamos de fazer a viagem Penhas da Saúde – Seia passando pela Torre. Quando chegamos a Seia os atletas dos K70 começaram a preparar-se para a partida e a receber as últimas recomendações da Organização. Ficamos a saber que entre a Garganta de Loriga e a Torre se tinham atingido temperaturas bastante baixas que tinham feito alguns estragos. Soubemos que o Luis Mota tinha entrado em situação de hipotermia e que teriam demorado cerca de meia hora para conseguir repor a sua temperatura corporal. No final acabei por saber que teria desistido ao Km 116 devido as mazelas causadas por esta situação extrema. Fiquei logo com nervoso miudinho… Lá partiram e vi o Xico e o amigo Luzio a seguir viagem para o desconhecido. Não sei explicar porquê mas continuei a sentir aquela dor de cotovelo. Não deveria ser muito normal tendo em conta o facto de ter acabado de ter conhecimento das condições adversas pelas quais iriam passar, já para não falar dos Km… Serei doida??

Desanimada lá fui levantar o dorsal da minha prova sabendo a partida que não teria nem metade da beleza paisagística daquela pela qual os outros participantes das outras distancias passariam. A hora marcada seguimos de autocarro ate Gouveia para o local da partida. Um elemento da Organização aproveitou o caminho para nos dar umas luzes do percurso. Resumidamente disse o seguinte: “A prova começa a subir, a subir e continua a subir e quando vocês pensarem que já não vão subir mais voltam a subir…”. Ora que bem. Eu que tinha pensado que as oscilações não seriam muitas… Afinal sempre vai haver alguma emoção. Mas o melhor/pior ainda estava para vir… Obtivemos mais uma informação de última hora: iríamos sair de Gouveia com uma atleta-guia que nos iria levar ate a primeira fita. A corneta soou e lá fomos. O que não imaginei é que esse percurso entre o centro de Gouveia e a 1ª fita com cerca de 3 Km seria percorrido a velocidade supersónica pela atleta-guia através de uma pista de Downhill. Ok fixe! Não pensei  foi que fosse numa pista de “Uphill”. Caneco…  Só para terem uma ideia o meu Km2 foi  o pior de toda a prova…
Este pormenor estragou os meus planos por completo. Tinha decidido apenas encher a mochila com água no primeiro abastecimento,que pelas indicações seria ao Km4. Só que o Km 4 efectivo de prova não coincidia com o Km4 de corrida. Que sede… Ainda bem que dei com o abastecimento, coisa que não aconteceu a muita gente, senão tinha de bater a porta de alguém para pedir agua. Chegada ao abastecimento o senhor olha para mim e diz: “É a primeira!!!”. Como assim?? Os outros participantes já nem se viam no horizonte!!! O senhor devia estar confuso… Mas continuava a insistir… Sim é a “Primeira pessoa a passar neste abastecimento…, é dos 100 Km, não é?” pergunta o senhor. Ao que respondo prontamente que não. Parece que NINGUÉM tinha passado no abastecimento porque ninguém o viu… Lá atestei a mochila e segui viagem. Começo a tentar beber a agua da mochila e novo problema surge… A agua não saia… A pipeta estava aberta mas a agua não havia meio de sair… Não acredito… Tive de ir abrindo a mochila e vazando a agua para o bidon a medida que a agua acabava. Ainda encontrei o Jorge que me disse que era azelhice minha mas o que é certo é que continuou a não sair agua. A prova estava a correr bem, sentia-me bem, não me doía nada, só o raio da água para me atormentar.
O abastecimento seguinte ainda era distante. Seria só aos 17 Km mas como íamos com a diferença de cerca de 3 Km só apareceu mais tarde. Como não tinha agua suficiente não consegui comer nenhuma barra de marmelada que tinha mas também não tinha vontade.
Tal como previa não passei por nenhuma paisagem de cortar a respiração mas adorei a experiência de correr no meio de um rebanho de cabras. Ia eu a subir uma “paredezita” quando reparo que vinha uma pessoa atrás de mim com quem eu não me tinha cruzado em todo o percurso. Era o 1ª atleta dos 100 Km que vinha fresco que nem uma alface. Perguntou-me se estava tudo bem e eu fiquei surpreendida porque não estava a espera de ser ultrapassada por um atleta dos K100. Ele lá seguiu e passado uns minutos deixei de o ver.

Continuei no meu ritmo. O percurso tinha vários tipos de terreno: estradão, pedra roliça e pinhal. Para mim o pior é a pedra roliça nas descidas. Tendo em conta a tendência para por os pés de lado é sempre a parte que menos gosto. Mas desta vez nem correu mal já que não cai…

Chego ao abastecimento de Povoa Velha e sei que já falta pouco para Seia. Comi uns gomos de laranja e segui. Cheguei ao que seria a última e derradeira subida. Uma estrada de pedra em paralelos que foi impossível de correr. Lá cheguei a Seia sem nenhuma maleita e passei a meta com 3:59h para cerca de 26 Km. Pensei que até tinha sido bom e tinha melhorado tendo em conta que para os 21 Km em Sesimbra tinha demorado 3:50h. Recebi a medalha e fui logo atacar a agua e mais uns gomos de laranja. Sabia que ainda tinha de esperar pela Cláudia que tinha ficado com a chave do carro para irmos tomar banho e esperar lavadinhas pelos atletas K70. Enquanto esperava e em conversa com a rapariga que tinha ficado a primeiro lugar ela disse-me: “Se calhar ainda vais ao pódio acho que foste a 2ª ou 3ª a chegar.” O QUÊ?? PÓDIO?? Naaaa. Deve haver alguma confusão. Até que as tantas confirmo que fui a 3ª mulher a chegar e como tal teria o direito a subir ao pódio para receber o troféu. E AGORA??? Chego ao pódio e não tenho ninguém a assistir??? A Cláudia ainda não tinha chegado e o Xico e o Luzio nem pensar. Lá fui sozinha recolher o meu prémio. E digam lá que não era espectacular…

A minha "taça"


Pódio K25 (Presidente da Câmara Municipal de Seia, 1ª Classificada Vera Vaz, Elemento da Organização, Eu) Faltou a 2ª Classificada Helena Rodrigues

Como é óbvio fui logo confrontada com perguntas do género: “ Foste a 3ª? Quantas havia em prova? 3?” Bem o que é facto é que eramos mesmo muito poucas mulheres (penso que 7) mas não tenho culpa de não haver mais mulheres a participar nesta prova. Percebo que para muitos este simples prémio não vale de nada mas para mim serviu para me motivar e ajudar a continuar. Vou continuar a treinar e vou conseguir atingir os meus objectivos e quem sabe se para o ano conseguirei chegar lá acima.

Piscina Natural de Loriga

Queria deixar uma palavra de agradecimento a Horizontes, pela organização 5 estrelas e pela constante preocupação para que tudo corresse bem.

Aos atletas que acabaram qualquer das provas mais longas os meus parabéns. Vocês são os verdadeiros campeões. Parabéns também ao Xico (o meu herói) e ao Luzio por terem conseguido acabar a vossa prova de K70, distancia que percorreram pela 1ª vez, sãos e salvos.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

IV Trail de Sesimbra

Partimos rumo a Sesimbra na sexta-feira para um fim de semana que se previa que iria ser de sol. E assim foi :) Ficamos no Hotel do Mar que era o Hotel escolhido como apoio a prova. Já chegamos tarde, levantamos os dorsais, e não resistimos a um mergulho na piscina interior e um bocadinho de sauna antes de irmos jantar uma refeição rica em hidratos de carbono, como é da praxe.

Notava-se em todos um certo nervosismo. Eu até estava calma quanto a minha prova só me preocupava um pouco o calor mas estava mais preocupada com a prova de 52 Km do Xico, que iria fazer essa distância pela primeira vez. Demos um passeio pelo paredão e regressamos ao hotel para descansar e preparar a tralha para o dia seguinte. Dormimos mesmo mal e acordamos antes do despertador. 

O Xico lá saiu mais cedo para tomar o pequeno almoço uma vez que a partida da Ultra era as 8:00. Quando fui tomar o pequeno almoço já se começavam a acumular algumas pessoas para a partida. E a hora marcada lá soou a corneta :) E ai vão eles...


Depois do pequeno almoço voltei ao quarto para decidir se levava meias compridas ou não. Da minha ultima experiência de Trail em Ribafria percebi que deveria sempre tentar correr provas destas de meias compridas até ao joelho uma vez que fiquei completamente esfacelada. Mas estava tanto calor que pensei "Que se lixe, antes esfacelada que assada...". Até nem correu mal porque esta prova comparada com o Enduro Trail de Ribafria "era para meninos" no que diz respeito a silvas, galhos de árvores e pedras soltas :) Hehe.


Desci então vestida e equipada para a zona de partida. Faltava pouco para a hora de partida e tinham de inspeccionar se tínhamos todo o material obrigatório: Mochila com reserva de agua, apito, copo, telemóvel. Ok estávamos a falar de um trail de 21 Km mas se a organização estipulava esse material obrigatório era conveniente cumprir. O que verifiquei foi que muita gente não tinha nada disto e acabava por levar um puxão de orelhas, e desculparem-se a dizer que não viram no site e lá acabavam por deixá-los passar.

                              

Depois da partida na praia seguimos pelo alcatrão passando pela zona da doca de pesca até entrar na terra batida. Ai começou a festa das subidas e descidas. Nada que eu já não estivesse a espera :)
Assim que aparece a primeira decida fiquei encalhada num engarrafamento de pessoas a tirar fotos. Sim  a paisagem era espectacular mas não havia necessidade. Nem sei como têm coragem para tirar o telemóvel do bolso... Depois inicia-se uma subida que fiz ao jeito de escalada. Achei que se fizesse as subidas pensando que estava a escalar e usasse a técnica pé - mão - pé - mão iria ser mais fácil. E foi... Uma questão meramente psicológica mas que me ajudou nesta e nas restantes subidas.
Aqui fui apanhada pelo fotografo de serviço após essa subida.      
                                          

   
Foto by EspiralPhoto
Foto by EspiralPhoto
                                     
Depois houve uns quantos Km quase sempre a direito e ai foi altura de tentar acelerar e recuperar algum tempo.

Foto by EspiralPhoto
                                                 

Foto by EspiralPhoto
                                                   
No meio de uns trilhos com bastantes arbustos por onde passei e onde seguia sozinha vejo um lagarto gigante verde e azul. Quando digo gigante era mesmoooooooo giganteeeeee. Nunca vi nada assim. Mas lá segui. Quando se tem o privilegio de passar por estes sítios bonitos e desfrutar do que a Natureza tem para nos oferecer é assim.

Depois de mais uns Km chego a pedreira. Ai tive coragem de tirar o telemóvel cá para fora e sacar umas quantas fotos. Não gostei particularmente desta paisagem criada pelo homem escondida num local tão bonito como este.





E lá ia eu completamente sozinha...


Depois de ter tirado esta foto fiquei sem Garmin. A pulseira descolou-se e o relógio caiu no meio do chão. Por acaso dei conta e ainda bem bem que foi ali senão tinha ficado sem ele porque não me ia aperceber da queda se estivesse a correr. Para além da pulseira partida, desligou-se e perdi a informação de todo o trail até ali... Fiquei danada.... 

A partir daqui foi seguir até ao Castelo de Sesimbra e depois sempre a descer até a praia para a tão desejada meta.

Adorei fazer este trail que foi o mais longo até agora e começo a perceber que este tipo de provas é que me dão prazer. Não é que não goste de uma prova de estrada mas estas são muito melhores por tudo o que envolvem. Acho que a organização esteve bem, especialmente no que diz respeito as marcações e aos abastecimentos que eram excelentes. O facto das marcações estarem bem não me impediu de ter feito um pequeno desvio porque me distrai... Para a próxima tenho de ir mais atenta :)

Demorei 3:50 a fazer este trail. Acho que podia ter feito melhor não fosse o calor intenso que se fez sentir mas o facto de ter acabado esta prova já me faz feliz.

O Xico concluiu a prova de 52 Km em 8:00 tendo ficado em 67º da geral e chegou são e salvo nesta sua primeira Ultra Aventura.

Um dia serei eu a concluir esta distancia... Mas ainda tenho muito que treinar... :)

domingo, 11 de maio de 2014

33ª Corrida 1º de Maio

Esta foi a primeira vez que fiz esta prova. O ano passado por esta altura estava de férias em Cabo Verde e não pude participar com grande pena minha.
Esta prova esteve sempre presente na minha infância. A casa dos meus pais fica muito perto do Estádio do INATEL e do 8ª andar tem uma vista muito boa para lá. Quando era pequena lembro-me de logo de manhã cedo ouvir os altifalantes com música altíssima e ver um garrafão de pessoas junto a porta principal prontas para a partida. Depois ia muitas vezes ver a chegada. Naquela altura achava que aquelas pessoas que iam chegando eram autênticos heróis e ambicionava um dia poder fazer aquela prova como eles. Foram precisos estes anos todos para isso se concretizar. Demorou mas foi :)

Esta prova de 15 Km tem um percurso calmo com uma primeira parte a descer até ao Terreiro do Paço e depois a segunda parte a subir até Estádio do INATEL. Logo quando ia na Av da Republica comecei a sentir uma dor estranha que nunca tinha sentido antes na anca esquerda junto ao osso e que dava a sensação que a perna ia sair do sitio. Esta dor acompanhou-me até ao final da prova e a data de hoje ainda não desapareceu por completo. A subida da Av. Almirante Reis custou-me horrores por ser muito longa. Já me ia a arrastar. Para não fugir a regra foi mais uma prova de 15 Km que não me correu propriamente bem. Parece que estão enguiçadas. Ainda assim consegui baixar alguns minutos ao meu tempo anterior da Corrida dos Sinos de 1:37:09 para 1:34:05. Consegui então assim finalmente baixar dos tão ambicionados 1:35 aos 15 Km. 

Aqui estou eu feliz por terminado. Foi um bom treino para o Trail de Sesimbra que se seguiu.
Foto:André Noronha

quinta-feira, 1 de maio de 2014

corredor do BUS - percurso do "735"

No sábado passado foi altura de fazer mais um treino do corredor do BUS. Desta vez a carreira escolhida foi a do autocarro 735 que faz o percurso entre o Cais de Sodré até ao Hospital de Santa Maria. À hora marcada, 17h, lá estava na paragem terminal do 735 para juntamente com mais cerca de 25 "malucos" arrancarmos sempre seguindo o percurso o mais semelhante possível ao autocarro.

Foto http://www.corredordobus.com/
O percurso iniciou-se seguindo até ao Terreiro do Paço, Campo das Cebolas e Santa Apolónia. A partir dai começou a "festa" das subidas. Foi sempre a subir até Sapadores. Depois uma breve descida até à Paiva Couceiro seguindo depois pela Morais Soares até a Almirante Reis. Ai voltamos a ter uma subida um pouco mais longa e suave até ao Areeiro. Passamos pela Av João XXI em direcção a Av de Roma e mais uma subidinha a maneira até a Av do Brasil. Ai pensei "que belo treino para a corrida do 1º de Maio". Depois subimos finalmente a alameda das Universidades até a entrada do Hospital de Santa Maria.

Vi-me em dificuldades mas sobrevivi. Mais um percurso concluído com sucesso :) O próximo é o no dia 3 de Maio e segue o percurso do eléctrico 28 E (Martim Moniz – Prazeres). Desejo boa sorte aos doidos que vão fazer este percurso e desejo boa sorte a mim que vou fazer nesse dia o Trail de Sesimbra :) Divirtam-se.

25 de Abril Sempre

Este ano à semelhança do ano passado foi dia de comemorar o 25 de Abril a correr em Liberdade :)
O ano passado adorei fazer a Corrida do 25 de Abril porque o ambiente é de facto diferente das outras provas de estrada uma vez que não há registo de tempos nem chips. É uma corrida de convívio e é isso que para mim deveria ser a essência das provas. É óbvio que todos nós gostamos de nos superar a nós próprios e evoluir mas nesta prova tudo isso se esquece e quase toda a gente acaba por aproveitar para ir no "relax" e usufruir deste percurso de 11 Km desde o quartel da Pontinha até à Praça dos Restauradores.

É no Quartel da Pontinha, Regimento de Engenharia Nº1, que em 25 de Abril de 1974, se instala o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas que instaurará um regime democrático em Portugal.


 
Esta foi a primeira corrida em que usei a camisola do Grupo Desportivo do Banco BPI. 



Em Janeiro integrei a equipa de Atletismo do GD Banco BPI mas ainda não tinha a camisola. Não é que o facto de ter camisola que aumenta a minha vontade de me superar mas por coincidência ou não bati mais um record informal dos 10 Km :) Fiquei mesmo muito feliz com o meu feito tendo reduzido cerca de 1'30'' ao tempo anterior na Corrida da APAV.

Record aos 10 Km 57:57
Depois da corrida foi tempo de um almoço em boa companhia :) e à noite continuei nas comemorações do 25 de Abril. 


Viva o 25 de Abril! Viva a Liberdade!

domingo, 20 de abril de 2014

corredor do BUS - Percurso do "734"

Depois de não ter estado presente na grande estreia do corredor do Bus no fim de semana passado, e ter falhado o percurso do eléctrico 15E, consegui estar presente no percurso do autocarro 734.


O "corredor do BUS" surgiu da cabeça do João Campos. A ideia será numa fase inicial percorrer em modo corrida os percursos dos autocarros e eléctricos da Carris e depois de outros transportes públicos de Lisboa e de outras cidades e outros países. Quando soube deste projecto pensei logo que tinha de fazer o máximo de percursos que me fosse possível.  É uma forma diferente de conhecer a cidade e usufruir dos desníveis positivos e negativos das 7 Colinas aproveitando para fazer um treino diferente.

Sai de casa por volta das 16:20 e apanhei o metro em direcção aos Restauradores. No entanto como ia um pouco adiantada resolvi sair no Marquês e fazer o aquecimento até ao Martim Moniz em modo soft. O que eu não estava a espera era de um ataque de alergia. As árvores da Av. da Liberdade estavam a largar pólen como se não houvesse amanhã. Achei estranho porque na sexta-feira fui fazer um treino de casa até por baixo da Ponte 25 de Abril e passei na Av. da Liberdade mas não havia pólen nenhum no ar. Na Primavera costumo ser bastante atacada principalmente com irritações nos olhos e na garganta. Ontem fiquei mesmo aflita com muita comichão nos olhos. Tive de passar os olhos por agua várias vezes mas só fiquei aliviada quando cheguei a casa e pus soro fisiológico. Mas não era um ataque de alergia me ia impedir de percorrer o corredor do BUS.

Depois da foto da praxe e de um pequeno briefing onde se deram algumas directrizes para correr em segurança partimos do Terminal do 734.

Foto by Marco Borges (https://www.facebook.com/marconascorridas)

O percurso inicia-se no Martim Moniz e segue até ao Largo da Graça, sempre a subir. Passamos pelo Largo da Feira da Ladra onde fomos olhados com estranheza pelos vendedores ambulantes. Depois descemos em direcção a Santa Apolónia onde fizemos uma breve paragem para beber agua e siga para bingo, ou como quem diz, fazer o caminho inverso. Mais uma vez sempre a subir até ao Largo da Graça. Estes treinos com subidas são bons para ajudar a preparar as minhas pernas para os próximos Trails que se avizinham. Reagrupamos e seguimos em direcção ao Martim Moniz mas ainda houve direito a uma breve paragem para mais uma foto. Nesta foto todos receámos pela máquina fotográfica do Marco :)

Foto by Marco Borges (https://www.facebook.com/marconascorridas)

Chegados a paragem do 734 vemos o guarda freio da Carris, Francisco Sardinha, companheiro no Correr Lisboa ao "volante" do seu eléctrico 12 completamente atulhado de estrangeiros. Tiramos uma foto bem engraçada.

Foto by Marco Borges (https://www.facebook.com/marconascorridas)
Gostei bastante de fazer este percurso e espero fazer mais percursos do corredor do BUS em breve. Visitem o site e a pagina do Facebook para ficarem a par dos próximos percursos.

Obrigado Marco Borges pelas espectaculares fotos.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Rescaldo do Enduro Trail de Ribafria

Tenham calma amigos... Não fiquem a espera de um emocionante relato de uma prova de trail... Nanana... Nada disso....

Infelizmente a minha presença neste Trail estava condenada ao fracasso... Mas vamos a factos:

Saímos de Lisboa em direcção a Benedita no sábado de manhã. A prova começava as 13h e queríamos ter tempo para comer qualquer coisa e ver onde íamos dormir nessa noite. A prova decorria em 2 dias pelo que iríamos dormir nas instalações do CRP Ribafria, que organizou a prova. Fomos levantar os dorsais e recebemos uma T-shirt personalizada :)



Ansiosamente aguardava o inicio da minha prova que seria as 13:11h. Ouvimos as indicações no briefing e fiquei tranquila pensando que seria uma prova de trail longa mas fazível...  Ohhh como estava enganada.... Esta prova funcionava de forma semelhante aos ralies e tinha classificativas e ligações, sendo que apenas contavam para a classificação final as classificativas, tal como o nome indica :) Tínhamos tempos previstos máximos de chegada que não deveriam ser ultrapassados senão começávamos a penalizar. Para iniciar tinha de fazer cerca de 6 Km em 1 hora.

As partidas tinham a distância de 1 min entre cada participante o que fazia com que por algum tempo seguíssemos sozinhos. A prova inicia-se e ia-me logo enganando a saída do pavilhão em vez de ir para baixo ia para cima. Mas tudo tranquilo estava só despistada. Segui e passados uns metros entro nos trilhos. Havia pouca água e nenhuma lama neste primeiro troço. O que notei logo foi o piso muito inserto e a começar a ter bastante pedra. Mas até ai tudo bem. A primeira ligação foi tranquila embora com algumas subidas. Cheguei antes da 1h prevista e tive de ficar a aguardar a minha vez para partir para a classificativa. Ai é que me apercebo o que me esperava. Uma subida a pique logo ali e sem fim a vista. Bebo alguma agua mas também não tive muito tempo para descansar... "Inêsssss". Chamam o meu nome e tenho de seguir viagem ainda a fechar a tampa do cantil. Começa a subida onde me era totalmente impossível correr quer pela inclinação quer pelas pedras soltas. Depois dessa subida começa um troço de subidas e descidas cheias de pedregulhos. Aqui ia eu em sérias dificuldades...


Numa dessas descidas pensei que talvez fosse melhor tentar acelerar o passo senão podia correr o risco de não chegar a tempo. Não acelerei assim nada de especial mas pus o pé em cima de uma pedra que me parecia perfeitamente fixa e afinal não era bem assim. A pedra resvalou e torci o pé. Foi uma daquelas torcidelas que até fazem barulho e por momentos até pensei que tinha partido o pé. Começou o martírio e as dores. Pensei como é que iria chegar ao próximo ponto de paragem se mal conseguia andar e me encontrava no meio de nada mais que pedregulhos. Todas os atletas iam passando por mim aos poucos até que de repente fui apanhada pelo Xico que tinha partido 40 min depois de mim. Ai percebo que estou em apuros. Disse-me para continuar e não se atrasar por minha causa que assim que chegasse ao abastecimento pediria ajuda. Mas ele ficou preocupado ao ver-me naquele estado e fez-me companhia. Estava a desesperar e se não fosse ele ter ficado comigo não sei o que faria. Toda, repito toda a gente passou por nós... Que deprimente... Não conseguia correr nem deixava o Xico correr... Para ajudar a festa aconteceu um momento cómico que na altura não me pareceu nada divertido. Lá no cimo de um monte de pedregulhos fomos atacados por uns insectos gigantes que sinceramente não sei o bem o que eram. Um picou o Xico dentro do ouvido e outro embrulhou-se nos meus cabelos a fazer um barulho ensurdecedor e não saia nem por nada. Parecia-mos uns tolos aos pulos. Se calhar foi por causa do amarelo das camisolas que atraímos os bicharoucos. 

Ao fim de uma eternidade cheguei finalmente ao abastecimento. Se tivesse demorado mais um pouco corria o risco de não estar lá ninguém. Resolvi desistir. E o Xico seguiu. Tinha meia hora para chegar ao controlo seguinte e já ia chegar a queima-roupa com o tempo que perdeu comigo.

Segui no carro da organização até ao pavilhão do CRP onde fui vista pela Fisioterapeuta. Diagnostico: Rotura de ligamentos parcial do tornozelo direito. Doía para xuxu. A Fisioterapeuta massajou-me bastante o pé e fez-me ultrassons durante cerca de 15 min. Indicou-me que devia fazer gelo e colocar um pé elástico. Saí do gabinete e fiquei a espera do Xico. Comecei a ficar preocupada porque tive noticia de que várias pessoas se tinham magoado e 2 rapazes tinham caído para um local inacessível e não conseguiam sair. Só descansei quando um rapaz me disse " O rapaz da tua equipa, o da camisola amarela, vem todo sujo de lama mas vem bem". Que alivio...

Passado um tempo lá o vejo a chegar. Só me disse "Ainda bem que desististe".


Feita a analise dos prós e dos contras de ficarmos resolvemos não ficar para o segundo dia e regressar a Lisboa. Magoados e cansados. Eu fiquei muito desiludida, não com a prova, mas com a minha humilde participação. É impressionante como é um conjunto de pessoas organizam uma prova com esta logística toda apenas por carolice. Foram impecáveis.

A dor no pé já se foi e já estou pronta para outra. Estou é cheia de feridas nas pernas das silvas e urtigas por onde passei.

Só tenho pena de ter perdido o 1º Aniversário do Correr Lisboa. Feliz Aniversário :)