segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ULTIMA HORA!!!!

ULTIMA HORA!!! ULTIMA HORA!!! ULTIMA HORA!!!

Informo os meus queridos seguidores que estão oficialmente abertas as inscrições para o Oh Meu Deus 2015 que vai acontecer a 05, 06 e 07 de Junho.

E eu já estou inscrita na distância K70:) 

Serra da Estrela espero que estejas preparada para me receber nesta aventura em 2015!!!

Até lá espero visitar-te muito mais vezes para ir descobrindo mais alguns dos teus segredos.



sábado, 6 de setembro de 2014

Ultima leitura

De todos os livros sobre corridas/trail que tenho lido nos últimos tempos acabei esta semana de ler o MELHOR que li até hoje. Na minha singela opinião trata-se de um livro que para além de ser uma biografia é também uma lição de vida. Mudou radicalmente a minha forma de ver a corrida. 



Comecei a ler o livro "Eat and Run" um pouco impulsionada pela transição alimentar que estou a tentar fazer a alguns meses. Não conhecia muito bem a historia do Scott Jurek. As poucas coisas que sabia dele era que era um campeão de ultras e vegano. A ideia de ler o livro foi mais numa de tentar perceber um pouco que tipo de adaptação é que ele fez na alimentação para continuar a ter força para correr. O livro tem vários capítulos onde o Scott relata as suas experiências de vida e no final de cada capitulo coloca uma receita vegana criada ou adaptada por ele. 

Li-o nas minhas viagens diárias de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Fiquei fã desde senhor... A sua vida não foi propriamente fácil mas mesmo com todas as adversidades conseguiu chegar longe no mundo das ultras-maratonas. 

Uns gostam de videos motivacionais, eu gosto de frases :) Aqui estão algumas que retirei do livro e que vou tentar não esquecer nos próximos tempos.

"We all lose sometimes. We fail to get what we want. Friends and loved ones leave. We make a decision we regret. We try our hardest and come up short. It’s not the losing that defines us. It’s how we lose. It’s what we do afterward." 
(As vezes todos nós perdemos. Falhamos em conseguir aquilo que queremos. Amigos e pessoas que nos são queridas partem. Tomamos uma decisão da qual nos vamos arrepender. Tentamos o melhor que podemos e não chegamos lá. Não é o facto de perdermos que nos define. É sim como perdemos. É aquilo que fazemos a seguir.)

"Life is not a race. Neither is an ultramarathon, not really, even though it looks like one. There is no finish line. We strive toward a goal, and whether we achieve it or not is important, but it’s not what’s most important. What matters is we move toward that goal. What’s crucial is the step we’re taking now."
(A vida não é uma corrida. Nem é uma ultramaratona, embora por vezes pareça que sim. A meta não existe. Esforçamo-nos para chegar a um objectivo, e o facto de o atingirmos  ou não é importante, mas não é o mais importante. O que importa é seguirmos em frente na direcção do nosso objectivo. O que é crucial são os passos que damos.)

"Everyone follows a different path. Eating well and running free helped me find mine. It can help you find yours. You never know where that path might take you."
(Toda a gente segue um caminho diferente. Comer bem e correr livremente ajudou-me a encontrar o meu. Pode também ajudar a encontrares o teu. Nunca saberás onde é que esse caminho te poderá levar.)

Mas vá, deixo-vos aqui um video onde aparecem duas máquinas das ultras: O Scott Jurek e o Killian Jornet. Espero que gostem :)



domingo, 31 de agosto de 2014

Fisioterapia - GAME OVER ou como fui curada de um dia para o outro

Esta semana foi um turbilhão de emoções contraditórias. Passou por tristeza, desespero, indecisão, esperança, muita dorrrrrrrr, nódoas negras, felicidade.



Na quinta feira acabavam as sessões de fisioterapia e eu já andava desde a outra semana a pensar no que haveria de fazer. A fisioterapeuta que me andava a fazer os tratamentos já me tinha dito que provavelmente teria de fazer mais 20 sessões, coisa que eu já desconfiava uma vez que a dor continuava cá exactamente no mesmo sitio, pese embora ao fim da 1ª semana de fisioterapia tivesse reduzido mas nada de por ai alem.

Já me andava a passar. 20 dias praticamente sem correr e sem notar melhoria significativas. É verdade que a fisioterapia pode ter efeitos diferentes de pessoa para pessoa mas eu não compreendo porque é que comigo tem de ser assim! Porque é que nalgumas pessoas esta dor chata desaparece e comigo teima em ficar? Como é que uma das actividades que me dá mais prazer às vezes tenha um sabor tão amargo? Porque é que esta dor irritante me prejudica não só na corrida mas no dia a dia? Porque é que a toda a hora esta dor me faz lembrar o que de melhor e pior tem a corrida? Não sei. Provavelmente alguém me fez um voodoo muito bem feito que resultou em quase um ano de tentativas frustradas de resolver o problema. 

No sábado e por mero acaso encontrei um companheiro de corridas, o André Noronha, no jogo do Sporting. Conversa puxa conversa o tema acaba por ser o do costume: corrida :) Tens treinado, não tens, qual a próxima prova? E eu em jeito de desabafo acabo por contar que tenho treinado muito pouco porque estou a fazer a fisioterapia mas que não vejo melhorias. O André acaba por me dizer que faz umas sessões de massagem com um massagista e que sabe que ele já tinha tratado muita gente com o mesmo problema que o meu. Contou-me que muita gente lá vai de 2 em 2 semanas para uma massagem geral ou para tratar de uma ou outra dorzita que apareça. Pergunto se ele me pode dar o contacto e ele diz-me que sim. Avisou-me apenas que me ia doer. E muitooooooo. Mal eu imaginava...

A semana iniciou-se e eu ja sabia que na 4ª feita iria ter consulta de fisiatria para reavaliação  e provavelmente para levar com uma "receita" de mais 20 sessões de laser, ultra-sons, ionização e massagem. No entanto na 4ª feira consegui falar com o massagista e ficou agendado para 5ª feira as 21h. Ele avisou logo que as vezes fazia consultas até a 24h. No entanto 5ª feira a hora de almoço liga-me e diz-me que tinha havido uma desistência e que eu poderia ir antes as 19:30 caso me desse jeito. A ultima sessão de fisioterapia seria as 18:30 e acabava as 19h e eu ia logo de seguida. Por isso aceitei de imediato.

Fiquei feliz por chegar ao fim da saga de 20 dias e 20 sessões e ao mesmo tempo um pouco apreensiva com o que me esperava de seguida. Lá fui a consulta na companhia do Xico. Quando cheguei havia um senhor a ser atendido e eu conseguia ouvir os sons de dor que ele emitia. Comecei a temer pelo que me iria acontecer a seguir. A massagem do outro senhor acabou e fui chamada. Ao abrir a cortina aparece um senhor que transmitia uma felicidade enorme. Só de olhar para ele se percebia que é feliz porque adora aquilo que faz. E a medida que o tempo foi passando tive a certeza que assim era.

Pediu-me para falar sobre o que sentia e eu expliquei: fasceite plantar e uma dor no osso da anca esquerda talvez pela compensação que faço por causa da fasceite plantar. Mandou-me despir e deitar na maca e levei uma esfrega que não queiram saber. Nunca pensei que fosse possível dar tantos estalos das costas. De seguida passou para o pé esquerdo e disse-me "Deita-te e relaxa porque vai doer...". Eu acho que até 5ª feira desconhecia por completo o que é dor. Vi estrelas, fui a lua e voltei, disse palavrões, gritei e suei mais que a correr. Mandou-me por de pé e perguntou-me se a dor ainda la estava. Eu estava um pouco indecisa porque o pé me doía e muito mas não percebi se era de estar maçado ou se a fasceite ainda la estava. Mas ele avisou-me que ia ficar dorida e que devia por gelo assim que chegasse a casa. Eu tenho muita tendência para ficar com nódoas negras e por isso quando cheguei a casa já se faziam notar no pé e nas costas na zona das ancas. Pus gelo mas continuava dorida. Ele disse-me que na sexta devia logo correr para ver como estava.

Na sexta acordo e o sintoma mais comum da minha fasceite, dor muito forte quando me levanto da cama e que me faz coxear do quarto ate a casa de banho, tinha desaparecido. Será possivel??? O pé continuava roxo mas a maldita dor foi-se. Fui trabalhar e ao final do dia fiz uma corridinha teste em Monsanto e não é que continuava a não doer.

Para fazer outro teste aproveitei para ir ao Treino Longo do Correr Lisboa. Para mim não seria longo mas sim médio. Estava a pensar fazer 12 ou 14 Km para testar o pé. Tentei manter sempre a mesma intensidade e ver como o pé reagia. Não senti rigorosamente nada durante o treino mas o facto de ter estado praticamente um mês afastada dos treinos mais longos e regulares faz-se sentir.

O que é que se terá passado? Foi quebrado o voodoo? Foi um milagre? O milagre foi o facto do massagista José Urbano ter entrado na minha vida para me salvar :) Obrigado André por mo indicares. Sei que de certeza irei la voltar. Mas espero que por outros motivos que não tratar alguma maleita :)

Ao comparar as massagens da fisioterapeuta com as do Urbano percebo que ela apenas me fazia festinhas:)

domingo, 24 de agosto de 2014

Fim de semana activo

O fim de semana de 15 de Agosto foi passado na Covilhã porque era o aniversario da mãe do Xico e tínhamos mesmo de lá ir.

Saímos de Lisboa na 5ª feira ao final do dia e na 6ª feira fizemos um piquenique na Floresta que é um parque de merendas que existe na estrada da Covilhã para as Penhas da Saúde. Adoro piqueniques e a tranquilidade que isso me traz e por isso aproveitei para relaxar.


Depois de almoço fizemos uma caminhada até ao Bairro da Biquinha para beber uma biquinha :) Foi um passeio curto de cerca de 3 Km mas foi bom para esticar as pernas.

No dia seguinte já estava planeado um treino de apresentação a um troço do OMD 72Km. Resolvemos fazer o caminho que liga o Vale do Rossim a Nave da Mestra.

O percurso iniciou-se junto a Esplanada do Vale do Rossim (a uma altitude de 1437m) onde uma série de veraneantes a banhos nas aguas da barragem olhavam para nós de lado como se fossemos malucos.

O Xico conhecia mais ou menos o trilho mas no sentido inverso porque o fez em Junho no Oh Meu Deus por isso lá seguimos sempre junto a margem da barragem até chegarmos ao inicio do trilho.

Passamos por sítios onde a vista era incrível. Para além disso o silencio absoluto que existe nos meio destes pedregulhos dá uma sensação de vazio. Nem sei bem explicar mas é espectacular, só se ouve o nosso respirar.

Pelo caminho passamos pelo Vale das Éguas e pela Fraga da Penha, uma pirâmide negra de granito.

Fraga da Penha

Continuamos pelo trilho e sempre seguindo as mariolas, que são uma sobreposição de pedrinhas, em forma de pirâmide, construídas pelos pastores com o intuito de sinalizarem os trilhos. O que é certo é que o Xico dizia que achava que não seria para ali. Estávamos a subir uma pedra e quem é que sai do meio do nada? O André Castro, vencedor do Oh Meu Deus 100 milhas 2014. De inicio não o reconheci só depois em conversa com o Xico é que chegamos a conclusão que era mesmo ele. Perguntamos se a Nave da Mestra era para aquele lado ao que ele respondeu prontamente que não tinha passado por nenhum sitio com essas características. Ele vinha com um pau na mão e aconselhou-nos a pegar num também porque haviam muitos cães perigosos por ali e mais valia andarmos prevenidos. Assim que vimos um pau pegamos nele e seguimos mas felizmente não nos cruzarmos com nenhum cão.

Mariola

Vimos um casal de caminheiros pelos quais já tínhamos passado antes e perguntamos se eles sabiam para que sitio era a Nave da Mestra e eles como caminheiros experientes que eram tinham um mapa e logo nos disseram que faltava apenas mais 1,5 Km. Já me estava a sentir com alguma fraqueza e não tínhamos nada para comer mas pensei que ja faltava tão pouco que não valia a pena voltar para trás agora. 

Seguimos até bem perto do marco geodésico que se encontra no Curral dos Martins a 1.721 m de altitude e logo a seguir demos com o tão esperado sitio.

A Nave da Mestra é um daqueles locais incontornáveis da Serra da Estrela, localizada a 1.650 m de altitude em pleno planalto serrano. Também conhecida como Vale da Barca, é um local fantástico da Serra da Estrela. É um covão onde existe um imponente penedo de granito com a forma que lhe dá o nome.

O acesso e este local é efectuado através de uma fenda onde mochilas grandes poderão ter dificuldades em passar, tal como os menos destemidos...
Talisca



Vista da Nave da Mestra


Casa do Juiz

Chegamos então ao telhado da Casa do Juiz. Reza a história que o Dr. Juiz Matos, mandou construir ali a sua casa de férias de Verão em 1910. A sua construção foi concretizada pela mão-de-obra vinda de Manteigas em cima de mulas por um caminho que ainda hoje existe, ajudada por macacos hidráulicos utilizados para levantar as gigantes pedras, incluindo aquela que faz de telhado à casa. Esta obra é comprovada pela inscrição que ainda se pode ler na construção principal por cima da porta, “Dr. J.Matos – Barca Hirminius – 1910”.

Depois de chegarmos ao destino é tempo de fazer o percurso de volta até ao Vale do Rossim. Estava mesmo a sentir-me fraca e com uma fome de tal forma que já tinha o estômago colado as costas. Aqui estou eu já a chegar ao tão esperado café onde comi uma sopa que me soube pela vida.


Foram cerca de 17 Km com muito calor. 

Foi apenas a apresentação a uma parte do percurso do OMD 72K que, caso tudo corra como o esperado, espero fazer para o ano em Junho.

Para Setembro já estou a planear outro troço do percurso. Depois conto como foi.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

14 dias sem tocar na chicha :)

Com esta historia da fisioterapia não fiquei completamente proibida de treinar mas a ideia era reduzir um pouco. E eu reduzi que se farta... Estive 14 dias parada... Parada apenas nível de corrida porque tenho ido algumas vezes ao ginásio e feito alguns exercícios de reforço muscular.

Hoje resolvi ir dar uma voltinha em Monsanto :))))))) Foi uma voltinha suaveeeee mas deu para matar saudades. Não sei o que é que aconteceu com o meu Suunto mas como tinha muito pouca bateria deve ter ficado doido e resolveu não registar os primeiros 2 Km. Fiz apenas 5,84 Km a uma média de 6:38 Km. Muito calmo mas soube mesmo bem. Nota a salientar: o pé não doeu, mas não vou abusar. Vão ser apenas treinos light :)


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Fisioterapia - Take 1


Desde quinta-feira passada que se iniciou esta nova fase... Enquanto toda a gente aproveita as férias eu passo os meus finais de tarde que deveriam estar a ser dedicados a treino a fazer fisioterapia ao pé esquerdo para ver se mando embora de vez esta fasceite plantar.

Após uma consulta com o Dr. Pedro Varandas cheguei a conclusão que talvez a infiltração que fiz em Janeiro não tenha sido lá muito boa ideia. A opção foi minha e não condeno o médico a que fui na altura, uma vez que me deu duas hipóteses de escolha: fisioterapia ou infiltração. Eu optei pela segunda pela rapidez na eliminação de dor mas o que é facto é que a dor desapareceu mas apenas temporariamente. A infiltração foi feita em Janeiro de 2014 e em Abril/Maio a dor voltou a aparecer. Ou seja a causa da dor continua cá.
Estou a fazer laser, ultrasons, ionização com ampolas de voltaren e o melhor de tudo, a massagem. Cada sessão demora cerca de 30-40 min mas é todosssssss os diasssssssss excepto ao fim de semana. Não estou proibida de correr mas os treinos tem de ser limitados a poucos Km. 

Para já sinto algum alivio pese embora a dor ainda cá esteja mas também ainda só passaram 5 dias.
A ver vamos. Darei noticias em breve.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Trail Sintra Monte da Lua

Ontem foi dia do tão aguardado Trail Sintra Monte da Lua. A distância escolhida foi de 25 Km que é a distância que ultimamente tenho feito nas provas de trail em que tenho participado.


Na sexta-feira fui levantar os dorsais a Quinta da Regaleira. Só me lembro de la ter ido uma vez numa visita de estudo do Liceu mas não me lembrava de rigorosamente nada. Para ser sincera sou uma daquelas pessoas que não aprecia muito o ambiente sombrio de Sintra. Quase toda a gente acha aquela envolvência deslumbrante e enigmática. Mas eu não consigo achar grande piada, o que é mau, porque é um sitio excelente para treinar.

O dia acordou farrusco e com alguns chuviscos a mistura fazendo ter uma série de indecisões: meias curtas ou compridas, mochila de 2 L ou de 1L, sapatilhas de Trail mais leves ou mais robustas, impermeável ou não… As escolhas foram meias compridas (e ainda bem), mochila de 1 L (Erro. Devia ter levado de 2L), sapatilhas de Trail robustas Asics Fujitrabuco (graças a deus), impermeável (perfeitamente dispensável).

Assim que cheguei a Praia das Maças caiu um aguaceiro que logo passou. Ainda assisti a partida dos 50K e logo de seguida fomos ouvir o briefing da prova dos 25K. Não consegui perceber nem ouvir nada, só qualquer coisa sobre não espreitar para ver as vistas junto às arribas porque podíamos vir parar cá abaixo e cuidado com um vespeiro que estaria não sei bem onde, blablabla, pela esquerda.

Tiro de partida dado lá seguimos pela areia. Apenas uns quantos metros e foi o suficiente para activar a minha fasceite plantar semi-adormecida. Auch…  Seguimos afastando-nos da praia  e nem passados 2 Km, engarrafamento… Para terem uma ideia do mesmo demorei 40 min para fazer os primeiros 2 Km. Fiquei parada imenso tempo numa fila para passar um mini riacho com uma corda para trepar. Fiquei logo chateada. Ficar parada ali durante tantos minutos quebrou completamente o ritmo. Nada a fazer. Depois de ultrapassado o obstáculo siga para bingo.
Passagem por Colares e um pouco mais a frente inicia-se a subida da pista de downhill. Mais um vez, e a semelhança da prova do Oh Meus Deus, esta organização resolveu por o pessoal a subir aquilo que é suposto ser a descer. Mas tudo bem. Chega o único abastecimento sólido no Monge aos cerca de 10 Km. Atestei com agua, porque bebi toda a que tinha na mochila, comi fruta e segui rumo as “pintas” laranja marcadas na floresta. Após este abastecimento percebi que haviam 3 marcas a laranjas. Duas cruzes a dar indicação que não era para ali o caminho e umas pintas laranjas. Segui as pintas como era suposto mas reparei que as marcações eram escassas numa zona de parque de merendas. Quando a zona de merendas acabou la continuavam as pintas o que significava que não me tinha enganado. Depois de ter feito o percurso do abastecimento ao inicio das arribas apercebo-me que as pessoas que estavam a chegar ao abastecimento quando de lá sai estavam agora a minha frente nas arribas e com uma distancia bastante considerável de mim. Eu ainda nem tinha começado a descer e já iam a começar a subir a primeira arriba. Possa como é que é possível? Não passaram por mim… Não sei se fui eu que me enganei ou se foram eles que atalharam mas fiquei um bocado irritada com isto.
A zona das arribas foi para mim o pior… A descer era um suplício porque os pés escorregavam constantemente nas pedras soltas fazendo dar algumas patinadelas perigosas. Depois desses sustos resolvi optar por uma técnica de sku em algumas descidas mais ingremes. Quase que fiquei sem calções e com as nádegas ao léu… E depois de uma bela descida perigosa uma subida ingreme ao género de escalada. Um pé em falso e lá íamos por ali abaixo. De facto a paisagem era espectacular mas nem consegui apreciar muito bem tal era a vontade imensa que aquela série de descidas e subidas em pedra acabasse. Nesse percurso até ao Cabo da Roca ajudei uma rapariga que tinha ficado sem agua tendo-lhe dado o meu barril e um rapaz que não se estava a sentir muito bem e a precisar de açúcar e força para chegar lá acima. Era incapaz de deixar alguém numa situação complicada ali sozinho ainda por cima sabendo que não havia ninguém da organização nem nenhum bombeiro neste percurso. Grande falha. Achei aquela zona bastante perigosa. Se calhar sou eu que sou mariquinhas mas tive algum medo especialmente nas descidas. Deveria haver alguém a dar apoio e alerta para alguma eventualidade.
Quando cheguei ao Cabo da Roca já estava em desespero. Já não tinha água outra vez. Encheram-me novamente a mochila e pensei que já faltaria pouco. Agora seria sempre a aviar. O rapaz que estava no abastecimento disse-me delicadamente: “Não se quer lavar??”. “Quem eu?”. Ai apercebi-me que estava imunda e toda farruscada. Uma mistura de pó com água fazia parecer que tinha andado a limpar chaminés. Achei que não havia grande necessidade. Lavei apenas as mãos e decidi seguir. O pior é que a minha consciência fez com que não abandonasse esses dois companheiros estreantes no trail e nada preparados sozinhos. E assim foi. Sempre que tentava impor algum ritmo de corrida rapidamente tinha de abrandar porque eles já não conseguiam mais. Até me senti um bocado culpada porque num troço cheio de pedras irregulares comecei a correr e a rapariga que seguia atras de mim caiu de cara batendo com o peito numa série de pedras. A partir daí decidi não os largar mais até a Praia das Maçãs.
Demorei 6:33 a fazer cerca de 27 Km. Nunca fiz um tempo tão mau num trail. No final tinha um misto de sensações. Estava um pouco triste por ser uma das últimas a chegar. Porque é que não fui mais egoísta e fiz a minha prova em vez da dos outros? Não sei… Mas não era capaz de não ajudar quem estivesse em dificuldades. Por outro lado o facto de ter aguentado estas horas todas em prova e no final ainda me sentir bem o suficiente para poder continuar por mais algum tempo, foi um ponto positivo.
Acho que vou demorar a digerir esta prova…
Esta foi a única foto possível: