sábado, 1 de novembro de 2014

II Duratrail ProAventuras

Antes de mais peço desculpa aos meus seguidores pela ausência mas tenho andado com pouca inspiração para a escrita. Nada melhor que uma boa prova de trail para me trazer a inspiração de volta.

Sábado passado fui dar um salto a Setúbal para participar no II Duratrail ProAventuras que decorreu na zona da Arrábida. Optei pela versão mais curta 22 Km.



Acordei com as galinhas para chegar a tempo de levantar os dorsais. A organização estava instalada no quartel dos Bombeiros de Setúbal e não houve tempos de espera para levantar os dorsais. Foi pegar e andar. Esta prova tinha a possibilidade de fazermos a inscrição com ou sem t-shirt. Tendo em conta que cá em casa é tudo a dobrar desta vez optamos por nos inscrever sem t-shirt. Mas podem dizer "ahhh mas não ficaste com nenhuma recordação da prova". Na na na. Recebi uma fita para a cabeça da Lurbel bem engraçada. Pena ser vermelha...


Passando a acção :) A partida deu-se as 9:00 e seguimos numa pequena volta pela Av. Luisa Todi com escolta até chegarmos a partida oficial. Inicia-se a primeira subida para separar o trigo do joio. Segui quase sempre acompanhada e fui encontrado pessoal conhecido aqui e ali. Logo ao inicio passamos num monte com um moinho de vento com uma vista espectacular. Não me apetecia parar logo ali ao inicio e segui caminho. Os primeiros 11 Km foram os mais complicados a nível de subidas mas sabia que ia ter o abastecimento para me recompor. Nada disso. Quando cheguei ao abastecimento não havia quase nada: 2 bolachas maria, 2 gomos de laranja e agua quase nem vê-la. Para conseguir encher a mochila tive de virar o bidon e aproveitar todas as gotas. Ou foram buscar mais ou quem veio depois viu-se a rasca. A partir dai o percurso era bastante corrivel. Soube mesmo bem passar pela zona da ribeira. O problema veio depois... Os sapatos ficaram cheios de pedrinhas e terra. Tive de me sentar e sacudir os sapatos mas sem sucesso. Apenas tirei a mais grossa. O resto continuou a moer mas sem fazer grande incomodo. Quando chego a zonas mais plana começo a sentir que me estavam a começar a doer os dedos dos pés. estranho... Já usei estas sapatilhas varias vezes. Não percebo o porque desta dor. Quando aparecem as descidas, altura em que por norma gosto de acelerar e vir por ali abaixo, começo a ter dores de tal ordem que até me vinham as lágrimas aos olhos. Comecei a atrasar-me e a não conseguir fazer as descidas rápido o que me estava a irritar solenemente. Mas paciência. Até que começo a ver a praia e apercebo-me que a meta deve ser já ali. Ate que constato que vou ter de correr um pouco na praia. Eishhhh isso é que não. Que tortura. Já nem sentia os dedinhos. Achei melhor tirar as sapatilhas e seguir de meias. Nada mau não fosse ter de voltar a calça-las mais a frente porque voltei a entrar em zona de passeio. Por momentos pensei "que se lixe" mas um senhor da organização avisou-me que aviam ali vidros e que era melhor calçar e assim fiz com muita dificuldade. Mas também só faltavam uns 500m. Estava quase. 



Começo a ver a meta e uma passadeira vermelha a aguardar-me qual estrela de Hollywood :)

A minha cara de sofrimento diz tudo

Gostei bastante desta prova. Estava muito bem organizada, o percurso extremamente bem marcado e muito diversificado no que diz respeito a tipos de terreno. Também gostei da parte dos obstáculos naturais que nos fizeram ultrapassar durante o caminho. O único reparo foi apenas o 1º abastecimento porque de resto estava tudo impecável. Incluindo o espectacular almoço: Massada de peixe com camarões a moda de Setúbal.

No final ainda deu para dar uma vista de olhos nos stands e apaixonei-me por estas meninas:

La Sportiva Bushido 
Andava a querer encomenda-las mas sem experimentar nem pensar. A oportunidade surgiu no stand da GoPerSports, uma loja/bike center localizado em Setúbal que tem muito equipamento para trail. O pessoal que estava no stand era impecável e explicou tudo sobre as minhas futuras bichinhas. Como estava com os pés doridos não consegui perceber se o numero que estava a experimentar era ou não o certo para mim, por isso vou ter de la voltar para experimentar o numero acima. Sempre é uma bela desculpa para ir comer choco frito :) Ainda experimentei umas meias da Lurbel que me pareceram ideais para trail. Muito fofinhas e sem costuras, como se quer. 

Terminou mais uma DURA aventura. Venha a próxima:)


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Desafio Ultra 2015 - Take 2 - Subida da Garganta da Loriga

Mais uma aventura estava programada para estas férias. A tão desejada subida a Garganta da Loriga. A subida de Loriga até a Torre pela Garganta da Loriga é feita por um percurso pedestre bastante bem marcado com mariolas.

Andava a sonhar com este percurso desde a algum tempo porque é um troço bastante importante do OMD 70K, isto se o traçado se mantiver igual a este ano. Para terem uma ideia este troço tem cerca de 10 Km mais coisa menos coisa. Apenas fiz metade do percurso porque a fome apertou e não haviam mantimentos suficientes para o corpo aguentar o resto do percurso, mas para terem uma noção em 5 Km foram 727 m D+. Coisa pouca :) Até tive de improvisar um cajado para me ajudar a subir algumas partes. 

Aqui vão algumas fotos para ficarem de água na boca.

Loriga

Vista para Loriga. 
Vista para o lado da Torre. Como somos pequenos...

Mariola Gigante

Informo já que esta zona é propicia a existência de alguns animais que o pessoal da cidade não está habituado tais como: Lagartixa-da-Montanha, Lagartixa-ibérica, Lagartixa-da-Montanha, Lagartixa-do-mato, Lagarto-de-água, o Sardão, a Osga, o Licranço, a Cobra-de-pernas-tridáctila, a Cobra-cega, a Cobra-de-água-de-colar, a Cobra-de-água-viperina, a Cobra-lisa-meridional, a Cobra-lisa-europeia, a Cobra-de-escada, a Cobra-rateira, a Cobra-de-ferradura e a Víbora-cornuda, a Salamandra-lusitânica, a Salamandra-de-costelas-salientes, a Salamandra-de-pintas-amarelas, o Tritão-de-ventre-laranja, o Tritão-marmorado, a Rã-verde, a Rã-ibérica, a Rela, o Sapo-comum, a Rã-de-focinho-pontiagudo, o Sapo-corredor, o Sapo-de-unha -negra, e o Sapo-parteiro.

Posso dizer que tive o prazer de me cruzar com alguns destes bichinhos pelo caminho, principalmente lagartos, e uma cobra ai com uns 70 cm... Nada de mais :)

Em baixo umas fotos da zona da garganta vista da Torre para nos sentirmos ainda mais pequeninos.

Garganta de Loriga

Garganta de Loriga



Mais uma etapa do Desafio Ultra 2015...

 


CORTAAAAAAAA :)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

DesafioUltra2015 - Take 1- Trail Terras do Grande Lago

No fim do semana passado e para começar bem mais um período de férias fui participar em mais uma prova de trail.  Tendo em conta que tenho um grande caminho a percorrer ate ao Oh Meu Deus 2015 não posso perder tempo e tenho de começar já treinar definindo pequenas etapas. Esta prova foi a primeira de muitas etapas que tenho de concluir para chegar ao OMD preparada quer física quer psicologicamente. Uma das etapas que defini é que vou ter de perder algum peso. Sim porque ter de arrastar este rabiosque durante 70km não deve ser facil :) Desde que comecei a correr já perdi muitos quilos mas agora estagnei e não perco nem uma grama. Alguma coisa não devo estar a fazer bem. Vou procurar um nutricionista desportivo que me possa ajudar a perceber o que se está a passar. Se conhecerem alguém que recomendem digam.

Bem mas vamos la focar as atenções no Trail Terras do Grande Lago. Esta prova aconteceu na zona do Alqueva estando a logística da organização sediada em Portel.  Desconhecia esta vila muito bonita localizada no distrito de Évora, que tem um Castelo muito bem conservado e que salta a vista assim que se chega.
                                

Eu e o Xico ficamos instalados na Amieira uma das Aldeias Ribeirinhas do Alqueva onde estavam a decorrer as festas anuais da terra, sendo que a diversão principal era tourada durante todo o dia e largada de touros. Se ha coisa que não gosto e de touradas mas não havia nada a fazer... Devido as festas não conseguimos jantar em nenhum restaurante na Amieira pelo que decidimos voltar a Portel onde tínhamos visto alguns restaurantes quando fomos levantar os dorsais. Depois de jantar e de regresso a Amieira percebo que nao ia ser facil adormecer porque havia uma banda a tocar. La consegui adormecer mas logo a seguir acordo com foguetes... Nada melhor numa véspera de prova. Com poucas horas de descanso seguimos para perto da Escola de Portel onde ficaria instalada a Meta. Uns autocarros levariam os atletas do k25 para a Marina da Amieira e os dos k42 para a Marina do Alqueva. O Xico tinha decidido acompanhar-me na prova dos k25. Chegados a Marina da Amieira ainda houve tempo para apreciar a paisagem e visitar o Wc :) As infraestruturas da marina são muito boas. Aconselho a darem um salto a esta zona que e um bom ponto de partida para visitar o Grande Lago. Tem passeios de barco e existe a possibilidade de alugar os barcos casa e passar um fim de semana diferente.

                           

As 10h começa a prova e seguimos junto as margens do Lago durante cerca de 1 km. Entramos por uma zona de estradão que nos leva a Amieira e depois entramos pelos trilhos. Foi um sobe e desce interessante, bom para quem acha que o Alentejo é só planícies.  Passamos por zonas bonitas e varias colmeias. Ai corri bem depressa com medo de levar alguma ferroada. Hehe. Senti-me bastante bem na primeira metade da prova mas depois não sei que me deu e comecei a ficar com dores nas pernas e as mãos inchadas.  Ja é a segunda vez que isso me acontece. As maos incham muito e tenho dificuldade em abrir e fechar os dedos. Parece que tenho andado a exagerar na água o que faz com que a concentração de sodio no organismo baixe e possa causar estes sintomas. Tenho evitado o consumo de bebidas isotônicas porque detesto o sabor e fazem-me indisposição mas acho que vou ter de me habituar. A isso e ao uso eletrólitos.  Mais uma dúvida a tirar com o nutricionista. Os abastecimentos eram optimos e frequentes de 6 em 6 km mais ou menos. Tinham tudo que tinhamos direito.  As provas da Associação O Mundo da Corrida já me têm vindo a habituar a esta qualidade nos abastecimentos. A isso e não so. A prova estava extremamente bem marcada e o pessoal da organização era muito simpático e disponivel. 
Queria muito fazer os 25km abaixo das 4:00h mas não consegui... por pouco... foram 4:00:08 buhhhh. Mais uma prova concluida. Aqui estão as fotos da praxe.

                                                  

                                      


Agora que o Take 1 está concluído e como dizem os realizadores: COOORTAAAAA!!! Sigam os treinos e vemo-nos no Take 2.





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ULTIMA HORA!!!!

ULTIMA HORA!!! ULTIMA HORA!!! ULTIMA HORA!!!

Informo os meus queridos seguidores que estão oficialmente abertas as inscrições para o Oh Meu Deus 2015 que vai acontecer a 05, 06 e 07 de Junho.

E eu já estou inscrita na distância K70:) 

Serra da Estrela espero que estejas preparada para me receber nesta aventura em 2015!!!

Até lá espero visitar-te muito mais vezes para ir descobrindo mais alguns dos teus segredos.



sábado, 6 de setembro de 2014

Ultima leitura

De todos os livros sobre corridas/trail que tenho lido nos últimos tempos acabei esta semana de ler o MELHOR que li até hoje. Na minha singela opinião trata-se de um livro que para além de ser uma biografia é também uma lição de vida. Mudou radicalmente a minha forma de ver a corrida. 



Comecei a ler o livro "Eat and Run" um pouco impulsionada pela transição alimentar que estou a tentar fazer a alguns meses. Não conhecia muito bem a historia do Scott Jurek. As poucas coisas que sabia dele era que era um campeão de ultras e vegano. A ideia de ler o livro foi mais numa de tentar perceber um pouco que tipo de adaptação é que ele fez na alimentação para continuar a ter força para correr. O livro tem vários capítulos onde o Scott relata as suas experiências de vida e no final de cada capitulo coloca uma receita vegana criada ou adaptada por ele. 

Li-o nas minhas viagens diárias de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Fiquei fã desde senhor... A sua vida não foi propriamente fácil mas mesmo com todas as adversidades conseguiu chegar longe no mundo das ultras-maratonas. 

Uns gostam de videos motivacionais, eu gosto de frases :) Aqui estão algumas que retirei do livro e que vou tentar não esquecer nos próximos tempos.

"We all lose sometimes. We fail to get what we want. Friends and loved ones leave. We make a decision we regret. We try our hardest and come up short. It’s not the losing that defines us. It’s how we lose. It’s what we do afterward." 
(As vezes todos nós perdemos. Falhamos em conseguir aquilo que queremos. Amigos e pessoas que nos são queridas partem. Tomamos uma decisão da qual nos vamos arrepender. Tentamos o melhor que podemos e não chegamos lá. Não é o facto de perdermos que nos define. É sim como perdemos. É aquilo que fazemos a seguir.)

"Life is not a race. Neither is an ultramarathon, not really, even though it looks like one. There is no finish line. We strive toward a goal, and whether we achieve it or not is important, but it’s not what’s most important. What matters is we move toward that goal. What’s crucial is the step we’re taking now."
(A vida não é uma corrida. Nem é uma ultramaratona, embora por vezes pareça que sim. A meta não existe. Esforçamo-nos para chegar a um objectivo, e o facto de o atingirmos  ou não é importante, mas não é o mais importante. O que importa é seguirmos em frente na direcção do nosso objectivo. O que é crucial são os passos que damos.)

"Everyone follows a different path. Eating well and running free helped me find mine. It can help you find yours. You never know where that path might take you."
(Toda a gente segue um caminho diferente. Comer bem e correr livremente ajudou-me a encontrar o meu. Pode também ajudar a encontrares o teu. Nunca saberás onde é que esse caminho te poderá levar.)

Mas vá, deixo-vos aqui um video onde aparecem duas máquinas das ultras: O Scott Jurek e o Killian Jornet. Espero que gostem :)



domingo, 31 de agosto de 2014

Fisioterapia - GAME OVER ou como fui curada de um dia para o outro

Esta semana foi um turbilhão de emoções contraditórias. Passou por tristeza, desespero, indecisão, esperança, muita dorrrrrrrr, nódoas negras, felicidade.



Na quinta feira acabavam as sessões de fisioterapia e eu já andava desde a outra semana a pensar no que haveria de fazer. A fisioterapeuta que me andava a fazer os tratamentos já me tinha dito que provavelmente teria de fazer mais 20 sessões, coisa que eu já desconfiava uma vez que a dor continuava cá exactamente no mesmo sitio, pese embora ao fim da 1ª semana de fisioterapia tivesse reduzido mas nada de por ai alem.

Já me andava a passar. 20 dias praticamente sem correr e sem notar melhoria significativas. É verdade que a fisioterapia pode ter efeitos diferentes de pessoa para pessoa mas eu não compreendo porque é que comigo tem de ser assim! Porque é que nalgumas pessoas esta dor chata desaparece e comigo teima em ficar? Como é que uma das actividades que me dá mais prazer às vezes tenha um sabor tão amargo? Porque é que esta dor irritante me prejudica não só na corrida mas no dia a dia? Porque é que a toda a hora esta dor me faz lembrar o que de melhor e pior tem a corrida? Não sei. Provavelmente alguém me fez um voodoo muito bem feito que resultou em quase um ano de tentativas frustradas de resolver o problema. 

No sábado e por mero acaso encontrei um companheiro de corridas, o André Noronha, no jogo do Sporting. Conversa puxa conversa o tema acaba por ser o do costume: corrida :) Tens treinado, não tens, qual a próxima prova? E eu em jeito de desabafo acabo por contar que tenho treinado muito pouco porque estou a fazer a fisioterapia mas que não vejo melhorias. O André acaba por me dizer que faz umas sessões de massagem com um massagista e que sabe que ele já tinha tratado muita gente com o mesmo problema que o meu. Contou-me que muita gente lá vai de 2 em 2 semanas para uma massagem geral ou para tratar de uma ou outra dorzita que apareça. Pergunto se ele me pode dar o contacto e ele diz-me que sim. Avisou-me apenas que me ia doer. E muitooooooo. Mal eu imaginava...

A semana iniciou-se e eu ja sabia que na 4ª feita iria ter consulta de fisiatria para reavaliação  e provavelmente para levar com uma "receita" de mais 20 sessões de laser, ultra-sons, ionização e massagem. No entanto na 4ª feira consegui falar com o massagista e ficou agendado para 5ª feira as 21h. Ele avisou logo que as vezes fazia consultas até a 24h. No entanto 5ª feira a hora de almoço liga-me e diz-me que tinha havido uma desistência e que eu poderia ir antes as 19:30 caso me desse jeito. A ultima sessão de fisioterapia seria as 18:30 e acabava as 19h e eu ia logo de seguida. Por isso aceitei de imediato.

Fiquei feliz por chegar ao fim da saga de 20 dias e 20 sessões e ao mesmo tempo um pouco apreensiva com o que me esperava de seguida. Lá fui a consulta na companhia do Xico. Quando cheguei havia um senhor a ser atendido e eu conseguia ouvir os sons de dor que ele emitia. Comecei a temer pelo que me iria acontecer a seguir. A massagem do outro senhor acabou e fui chamada. Ao abrir a cortina aparece um senhor que transmitia uma felicidade enorme. Só de olhar para ele se percebia que é feliz porque adora aquilo que faz. E a medida que o tempo foi passando tive a certeza que assim era.

Pediu-me para falar sobre o que sentia e eu expliquei: fasceite plantar e uma dor no osso da anca esquerda talvez pela compensação que faço por causa da fasceite plantar. Mandou-me despir e deitar na maca e levei uma esfrega que não queiram saber. Nunca pensei que fosse possível dar tantos estalos das costas. De seguida passou para o pé esquerdo e disse-me "Deita-te e relaxa porque vai doer...". Eu acho que até 5ª feira desconhecia por completo o que é dor. Vi estrelas, fui a lua e voltei, disse palavrões, gritei e suei mais que a correr. Mandou-me por de pé e perguntou-me se a dor ainda la estava. Eu estava um pouco indecisa porque o pé me doía e muito mas não percebi se era de estar maçado ou se a fasceite ainda la estava. Mas ele avisou-me que ia ficar dorida e que devia por gelo assim que chegasse a casa. Eu tenho muita tendência para ficar com nódoas negras e por isso quando cheguei a casa já se faziam notar no pé e nas costas na zona das ancas. Pus gelo mas continuava dorida. Ele disse-me que na sexta devia logo correr para ver como estava.

Na sexta acordo e o sintoma mais comum da minha fasceite, dor muito forte quando me levanto da cama e que me faz coxear do quarto ate a casa de banho, tinha desaparecido. Será possivel??? O pé continuava roxo mas a maldita dor foi-se. Fui trabalhar e ao final do dia fiz uma corridinha teste em Monsanto e não é que continuava a não doer.

Para fazer outro teste aproveitei para ir ao Treino Longo do Correr Lisboa. Para mim não seria longo mas sim médio. Estava a pensar fazer 12 ou 14 Km para testar o pé. Tentei manter sempre a mesma intensidade e ver como o pé reagia. Não senti rigorosamente nada durante o treino mas o facto de ter estado praticamente um mês afastada dos treinos mais longos e regulares faz-se sentir.

O que é que se terá passado? Foi quebrado o voodoo? Foi um milagre? O milagre foi o facto do massagista José Urbano ter entrado na minha vida para me salvar :) Obrigado André por mo indicares. Sei que de certeza irei la voltar. Mas espero que por outros motivos que não tratar alguma maleita :)

Ao comparar as massagens da fisioterapeuta com as do Urbano percebo que ela apenas me fazia festinhas:)

domingo, 24 de agosto de 2014

Fim de semana activo

O fim de semana de 15 de Agosto foi passado na Covilhã porque era o aniversario da mãe do Xico e tínhamos mesmo de lá ir.

Saímos de Lisboa na 5ª feira ao final do dia e na 6ª feira fizemos um piquenique na Floresta que é um parque de merendas que existe na estrada da Covilhã para as Penhas da Saúde. Adoro piqueniques e a tranquilidade que isso me traz e por isso aproveitei para relaxar.


Depois de almoço fizemos uma caminhada até ao Bairro da Biquinha para beber uma biquinha :) Foi um passeio curto de cerca de 3 Km mas foi bom para esticar as pernas.

No dia seguinte já estava planeado um treino de apresentação a um troço do OMD 72Km. Resolvemos fazer o caminho que liga o Vale do Rossim a Nave da Mestra.

O percurso iniciou-se junto a Esplanada do Vale do Rossim (a uma altitude de 1437m) onde uma série de veraneantes a banhos nas aguas da barragem olhavam para nós de lado como se fossemos malucos.

O Xico conhecia mais ou menos o trilho mas no sentido inverso porque o fez em Junho no Oh Meu Deus por isso lá seguimos sempre junto a margem da barragem até chegarmos ao inicio do trilho.

Passamos por sítios onde a vista era incrível. Para além disso o silencio absoluto que existe nos meio destes pedregulhos dá uma sensação de vazio. Nem sei bem explicar mas é espectacular, só se ouve o nosso respirar.

Pelo caminho passamos pelo Vale das Éguas e pela Fraga da Penha, uma pirâmide negra de granito.

Fraga da Penha

Continuamos pelo trilho e sempre seguindo as mariolas, que são uma sobreposição de pedrinhas, em forma de pirâmide, construídas pelos pastores com o intuito de sinalizarem os trilhos. O que é certo é que o Xico dizia que achava que não seria para ali. Estávamos a subir uma pedra e quem é que sai do meio do nada? O André Castro, vencedor do Oh Meu Deus 100 milhas 2014. De inicio não o reconheci só depois em conversa com o Xico é que chegamos a conclusão que era mesmo ele. Perguntamos se a Nave da Mestra era para aquele lado ao que ele respondeu prontamente que não tinha passado por nenhum sitio com essas características. Ele vinha com um pau na mão e aconselhou-nos a pegar num também porque haviam muitos cães perigosos por ali e mais valia andarmos prevenidos. Assim que vimos um pau pegamos nele e seguimos mas felizmente não nos cruzarmos com nenhum cão.

Mariola

Vimos um casal de caminheiros pelos quais já tínhamos passado antes e perguntamos se eles sabiam para que sitio era a Nave da Mestra e eles como caminheiros experientes que eram tinham um mapa e logo nos disseram que faltava apenas mais 1,5 Km. Já me estava a sentir com alguma fraqueza e não tínhamos nada para comer mas pensei que ja faltava tão pouco que não valia a pena voltar para trás agora. 

Seguimos até bem perto do marco geodésico que se encontra no Curral dos Martins a 1.721 m de altitude e logo a seguir demos com o tão esperado sitio.

A Nave da Mestra é um daqueles locais incontornáveis da Serra da Estrela, localizada a 1.650 m de altitude em pleno planalto serrano. Também conhecida como Vale da Barca, é um local fantástico da Serra da Estrela. É um covão onde existe um imponente penedo de granito com a forma que lhe dá o nome.

O acesso e este local é efectuado através de uma fenda onde mochilas grandes poderão ter dificuldades em passar, tal como os menos destemidos...
Talisca



Vista da Nave da Mestra


Casa do Juiz

Chegamos então ao telhado da Casa do Juiz. Reza a história que o Dr. Juiz Matos, mandou construir ali a sua casa de férias de Verão em 1910. A sua construção foi concretizada pela mão-de-obra vinda de Manteigas em cima de mulas por um caminho que ainda hoje existe, ajudada por macacos hidráulicos utilizados para levantar as gigantes pedras, incluindo aquela que faz de telhado à casa. Esta obra é comprovada pela inscrição que ainda se pode ler na construção principal por cima da porta, “Dr. J.Matos – Barca Hirminius – 1910”.

Depois de chegarmos ao destino é tempo de fazer o percurso de volta até ao Vale do Rossim. Estava mesmo a sentir-me fraca e com uma fome de tal forma que já tinha o estômago colado as costas. Aqui estou eu já a chegar ao tão esperado café onde comi uma sopa que me soube pela vida.


Foram cerca de 17 Km com muito calor. 

Foi apenas a apresentação a uma parte do percurso do OMD 72K que, caso tudo corra como o esperado, espero fazer para o ano em Junho.

Para Setembro já estou a planear outro troço do percurso. Depois conto como foi.