quinta-feira, 16 de abril de 2015

Páscoa Activa

Esta Páscoa foi diferente das habituais. Foi passada no Ribatejo. A correr... 

Saída programada de Lisboa sexta feira santa pela fresquinha a caminho da Golegã para fazer a Meia Maratona. Cada vez gosto menos de confusões e estava a apetecer-me fazer uma meia maratona de estrada num ambiente tranquilo. Já tinha ouvido falar bem desta prova por isso decidimos ir. Estávamos inscritos a bastante tempo para uma prova nocturna de Trail na zona de Santarém no sábado da Pascoa e por isso não podia ter calhado melhor.

Chegamos cedo para levantar os dorsais tranquilamente. Tendo em conta que tínhamos acordado bastante cedo e como já é habitual em mim adormeci no carro. Calma, não se assustem, eu não ia a conduzir :P Assim que saio do carro sinto uma dor forte nas costas na zona perto do pescoço do lado direito e apercebo-me de imediato que não consigo virar a cabeça em condições nem para um lado nem para o outro. "Não quero acreditar que estou com um torcicolo???" Mas era mesmo verdade. Mal me conseguia mexer e só estava confortável com a cabeça ligeiramente "à banda". Já que ali estava não havia volta a dar. Ia tentar correr e logo se via. Fomos levantar os dorsais e decidimos correr um bocadinho pela vila para aquecer. Sabíamos que iam mais alguns elementos do Correr Lisboa e logo os encontrámos. Poucos mas bons :) Assim que começo a correr fico com vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Cada vez me doía mais o pescoço mas ao mesmo tempo constatava a figura que fazia a correr. Aqui até parecia normal.

Foto: André Noronha (Obrigada!!)
O pior foi depois. Tal como prevíamos não havia muita gente na prova e a partida foi tranquila. Logo nos primeiros Km deu para sentir o calor abafado que nos ia acompanhar ao longo de toda a prova. 
O percurso dava uma volta a vila sempre em piso com paralelos e seguia por uma estrada nacional até a uma terra chamada Pombalinho passando perto da Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Este paul é um dos mais importantes do país e destaca-se pelas suas populações de aves nidificantes e por albergar importantes populações de patos no Inverno. 
O percurso é sempre plano o que acaba por ser um bocado saturante. Sabiam bem umas subidas e descidas para apimentar a coisa. Mas isso ficaria para o dia seguinte.
Estava a pensar que me ia custar correr com o pescoço assim mas ao fim de 2/3 Km deixei de o sentir. A prova correu bem, baixei em 3 minutos o meu anterior tempo da 1/2 Maratona, mas a chegada estava um bocadinho torta.


Seguiu-se um almoço no parque do Eccuspolis: Sopa, salada de peixe, bebidas e fruta. No final entregaram os prémios. O Correr Lisboa esteve em grande destaque no sexo feminino com dois elementos no Pódio :) 

Depois do repasto seguimos para Santarém onde ficamos a dormir.

No sábado passeamos por Santarém e depois de almoço resolvemos ir dar um salto ao Bombarral para uma visita ao Bacalhôa Buddha Eden. Com cerca de 35 hectares, o jardim foi criado em protesto contra destruição pelos talibãs dos Budas Gigantes de Bamyan no Afeganistão. Tratam-se de peças da colecção pessoal de Joe Berado. O jardim é bonito mas com poucas sombras e como estava muito calor acabamos por não usufruir muito do passeio.


De seguida fomos a caminho do próximo desafio: Night Trail da Pascoa nas Abitureiras. Iamos aventurar-nos a correr à noite durante 17 Km.

Ao longo do dia fui sentindo o pescoço a ficar cada vez pior e quando me estava a vestir para a prova decidi que ia fazer companhia a amiga Cláudia e ir a um ritmo mais calmo. A prova teve inicio as 20:10 e entusiasmei-me na partida. Quando dei conta já não via a Cláudia. Acabei por vir quase sempre na companhia de duas senhoras muito simpáticas da equipa Lebres do Sado. Para variar não me lembro dos nomes, mas sei que vou encontrá-las no próximo trail em Vale dos Barris.

Os abastecimentos eram fartos. Logo no 1º abastecimento já havia entremeada grelhada entre outros piteus. Dava vontade de ficar por ali mas não se podia perder muito tempo nos abastecimentos.

A prova foi muito engraçada com descidas e subidas interessantes e bom ambiente. Toda a gente muito bem disposta. Fiz a parte final da prova com um rapaz que levava musica no telemóvel mas sem phones e fui muito tempo a ouvir bossa nova. Raio de banda sonora para um trail noturno... hehe...

Uma coisa boa de fazer estas provas de noite é que não se vê bem por onde andamos e assim ao menos não enfrentamos os sítios por onde passamos com tanto medo. É siga para bingo. Logo se vê se tem um buraco ou não. 

No final mais um super-abastecimento com bifanas, sopa e arroz doce. Muito bom. Aqui está a foto a chegada.


Foi uma Pascoa bastante activa com direito a uma prova de estrada, um trail e um torcicolo que só desapareceu após uma massagem tui-na e muita pomada tigre. Nada que a medicina tradicional chinesa não resolva. E desta vez não foi preciso agulhas :)

sexta-feira, 27 de março de 2015

Ausência Prolongada - As minhas desculpas :(

Ola a todos!!!

Peço desde já desculpas pela ausência prolongada.

Já aqui não vinha desde final de Janeiro. Desde que criei o blog foi esta a vez que estive mais tempo afastada destas lides. Infelizmente a minha inspiração tem sido nula.

Chego muito cansada a casa e apenas tenho tido paciência para treinar (correr ou rpm), organizar as lides domesticas e dormir.

Decidi resumir as minhas actividades desde o inicio do ano para fazer um reality check:

Janeiro - Total de Km
Corrida - 111,82 Km 
Bicicleta - 101 Km

Fevereiro - Total de Km
Corrida - 127,52 Km 
Bicicleta - 90 Km

Março (até 27/03) - Total de Km
Corrida - 116,42 KM
Bicicleta - 102,4 Km

De todos os Km de corrida a maioria foi em trail. Ainda não participei em nenhuma prova de estrada desde o inicio do ano... A primeira será a Meia-Maratona da Golegã :)

Fiz 5 provas em 2015:

Janeiro: Território Centro - Proença a Nova - 47 Km
Fevereiro: Trail de Bucelas - 15 Km
                 Território Centro - Vila Velha de Ródão - 48 Km
Março: Território Centro - Vila de Rei - 25 Km
             Trail de Almeirim - 30 Km

Tenho estado a adorar o circuito Território Centro. Os percursos têm sido bonitos e a organização espectacular. Com estas provas mais longas tenho começado a perceber-me que adoro correr completamente sozinha, só com os meus pensamentos, durante horas a fio. A coisa que mais temia nestas ultras era o facto de não conseguir aguentar o esforço. Não tanto o físico mas mais o psicológico. Como me enganei!!! Aproveito esse tempo para limpar e cabeça e no final parece que me sinto muito mais leve e tranquila. 

Aqui ficam alguns registos dos sítios por onde andei:

Trail de Bucelas

Território Centro - Vila Velha de Ródão


Território Centro - Vila de Rei (Marco Geodésico do Centro de Portugal)
Territorio Centro - Vila de Rei
Trail de Almeirim
Até breve!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Território Centro - Proença a Nova (1ª Etapa) a.k.a A Minha Primeira Ultra !!!


No fim de semana de 10-01 foi dado o tiro de partida para a estreia da equipa de Trail Correr Lisboa/Forté Pharma Portugal. O grande momento deu-se em Proença a Nova, na primeira etapa do Circuito Território Centro, organizado pela Horizontes. Esta prova tinha duas distancias 26 Km ou 47 Km. Foi a minha estreia numa Ultra-Maratona mas também a minha estreia na distância da Maratona.

Mas adiante... Vamos ao que interessa. Partida de Lisboa agendada para 6ª feira a tarde com destino a Proença-a-Nova para levantamento de dorsais. A coisa não começou bem. Eu e o Xico tínhamos a nossa boleia a espera e já estávamos em cima de hora. Quando chegamos a Entrecampos apercebo-me que não tinha o telemóvel - equipamento obrigatório para a prova. Decido optar por dar uma olhadela na mochila que estava no porta bagagens quando um semáforo ficasse vermelho. Rapidamente abro a porta do carro sem olhar pelo espelho. Ia sendo passada a ferro por uma mota que acabou por se assustar e bater no carro. Apenas um susto. Ninguém ficou magoado e o carro também não ficou com nenhuma mazela. Não consegui encontrar o telemóvel. Tivemos de dar meia volta e regressar a casa. Quando chego a casa encontro finalmente o telemóvel. Rapidamente regresso ao carro e seguimos. Chegamos um pouco atrasados e estragamos a hora prevista de partida. Mochilas e restante tralha trocada de um carro para o outro e ai vamos nós.

Chegados a Proença fomos jantar, levantar os dorsais e nova viagem, desta vez mais curta, até Oleiros, que será a nossa base para as 4 etapas do Circuito Território Centro: Proença a Nova, Vila Velha de Rodão, Vila de Rei e Sertã. Iniciou-se a preparação do equipamento porque a alvorada seria bem cedo, por volta das 6:30h, e de seguida uma boa noite de sono.


Nessa noite e por estranho que possa parecer não me senti nervosa. Talvez porque ainda não tivesse consciência do que me esperava ou talvez porque o "clique" ainda não se tivesse dado. Dormi bem e na manhã seguinte a mesma sensação de tranquilidade. Agora já começava a estranhar... Tomamos o pequeno almoço e seguimos em direcção a Sobreira Formosa, onde estaria a partida e a meta. Quando entramos no carro que estava cheio de geloverificamos a temperatura ambiente: -3,5ºC. Auchhh... Ao chegarmos ao local da partida ouvimos o briefing e fizemos o controlo zero. Tudo a postos para a partida. Uma foto para a posteridade e aqui vamos nós. Eramos cerca de 185 atletas nas duas distâncias e a partida é dada as 9h. Pensei abordar a prova com muita calma. Nada de grandes speeds que ainda ha muiiiiiiitooooooooo caminho a percorrer. 

O primeiro ponto de interesse por onde passamos foi a cerca de 3/4 Km de Sobreira Formosa - a Praia Fluvial da Fróia. Tivemos oportunidade de passar por cima da barragem e de ter uma vista espetacular sobre a praia com as suas casas de Xisto. Passamos depois por um marco geodésico na zona da Serra da Venda antes da separação da prova de 20 Km e 47Km de onde se tem uma bonita vista.



De seguida passamos por uma zona de levadas e e pequenas cascatas onde foi possível sentir a "frescura" gélida da agua. O primeiro abastecimento era aos 15,4 Km já em Alvito da Beira, uma vila com gente bastante simpática. Os velhotes riam-se com a nossa passagem e chamavam-nos doidos quando explicávamos para onde íamos. No abastecimento não faltou nada. Estava muito completo com direito a sopa e a papas de caroulo, um doce típico da região centro.

Até este abastecimento tive companhia de uns senhores que se tinham perdido mas a partir daqui fiz a prova TODA sozinha.



Passei pelo abastecimento liquido aos 23 Km. Pergunto se era a ultima, ao que o rapaz me respondeu que não. Ainda estavam 2 senhoras atrás de mim. O meu objetivo para esta prova era apenas e só chegar ao fim e de preferência dentro do tempo obrigatório para conclusão da prova: 10h. Estava mais ou menos a meio e achei que se tudo continuasse como até ali talvez conseguisse terminar dentro do tempo limite. 

Aqui começou a verdadeira batalha mental. Nunca imaginei conseguir gerir tão bem esta parte mas acho que a descontração com que abordei a prova deve ter ajudado. Estava a sentir-me cada vez melhor. O próximo abastecimento sólido seria dali a 8 Km em Catraia. Passamos por mais uma praia fluvial espetacular que parecia um espelho em Cerejeira. 

Chegada ao abastecimento de Catraia ao Km32 tenho a noticia que as outras duas senhoras tinham desistido e que estavam apenas a minha espera para arrumar o abastecimento. E assim me tornei a ultima. Os voluntários que estavam no abastecimento deviam estar a apanhar a maior seca da vida deles e quando me viram devem ter gritado por dentro FINALMENTE. Estava a cerca de 10/15 minutos dos senhores que me deixaram para trás no primeiro abastecimento. 

Sabia que ao Km35 encontraria a pior subida. O que não sabia era que iria encontrar uma paisagem fora do vulgar. A vista do posto de vigia florestal da Serra das Talhadas a 600 m de altitude é incrível.




Não consegui subir ao posto porque não tinha tempo... :) mas diz-se que quando o dia está limpo, como o que estava no sábado passado, é possível avistar a Torre na Serra da Estrela que se encontra a cerca de 100 Km de distância. 

Agora era aproveitar a descida até ao abastecimento dos Montes da Senhora a 39 Km de prova. Ai fui espetacularmente bem recebida pelas pessoas da vila e pelos membros da organização que queriam perceber se eu estava bem e em condições para continuar. Estava óptima e pronta para atacar os últimos 7,7 Km.



Coloquei o frontal (gentilmente emprestado pelo Tiago Rodrigues) porque o sol já se estava a por e segui caminho. Estes foram os Km mais importantes. Percebi que iria chegar bem antes das 10h de tempo limite. Uffff que alivio. Os malandros ainda tinham preparado mais duas subidas antes de chegar a Meta. Brincalhões. Quando atingi a distancia da Maratona dei um berro no meio da floresta. Não sei se alguém ouviu mas de certeza que foi uma ajuda para afugentar os animais que com o normal cair da noite se começam a aventurar pelos arbustos. Não sei que animais eram mas esses Km foram feitos sempre a olhar em frente sem verificar que bichos estariam a remexer a terra atrás dos medronheiros... 

Quando dei por mim já estava a sair dos trilhos e a entrar em Sobreira Formosa sem precisar de ligar o frontal. Chego então a um pequeno largo onde vejo o Xico da Boina e o amigo Luzio a minha espera perto da meta. Passei então a meta com um tempo de 8h31. Perceber que tinha conseguido concluir esta prova sem dores e sem mazelas fez-me sentir nas nuvens.




Foi sem duvida um dos momentos mais importantes da minha vida. O facto de fazer a prova sozinha fez-me pensar em muita coisa e isso fez-me bem. Cantei, ri-me muito e disse alguns palavrões. Tive o privilégio de passar por sítios lindíssimos e por locais onde tenho a certeza que nunca passaria se não fosse o facto de me meter nestas aventuras. Conheci o verdadeiro Portugal profundo. 

Este pequeno (grande para mim) feito dedico-o ao Correr Lisboa mais precisamente ao Bruno e a Sandra. Tal como já referi uma vez se não fosse a motivação deles quando comecei a correr se calhar agora a corrida já não estaria na minha vida. Agradeço também o facto de terem acreditado em mim para representar o Correr Lisboa na equipa de trail Correr Lisboa/Forté-Pharma. Espero não vos desiludir.


Dedico também este feito ao meu guia e atleta favorito "Xico da Boina" por todo o apoio e força.



Para acabar deixo-vos com um dialogo que tive com uma sábia senhora pastora com que me cruzei algures pelo caminho e que parecia a pessoa mais serena do mundo:

-"Olha lá rapariga, onde é que tu vais a correr a esta hora?"

- "Vou para Sobreira Formosa? Acha que ainda lá chego hoje?"

- "Chegar chegas... Mas os teus amigos já passaram aqui de manhã..."

- "Então já vou atrasada!!"

- "Não. Só apreciaste melhor os sitios por onde passaste. Saúde e força".

Fiquei deliciada. Aqui está ela:





sábado, 27 de dezembro de 2014

Ericeira Trail Run

Tal como vos referi no post anterior tenho andado mais parada devido a lesão de Casainhos mas aos poucos já estou a recuperar. Tenho aproveitado para treinar no meu novo brinquedo. Esta bichinha:



Dá um jeitaço enorme para dias em que não dá para ir correr porque se sai tarde do trabalho e é um excelente complemento a corrida. O spinning ajuda e melhorar a capacidade aeróbica, resistência muscular e não tem impacto, o que é importante para a minha recuperação do tornozelo.

Mas já andava a sentir falta de um trail a maneira. O Bruno desafiou-nos para ir ao Ericeira Trail Run na prova mais curta com cerca de 22 Km e conseguimos arranjar inscrições a ultima da hora. E lá fomos. Quando acordei estava nevoeiro cerrado e fui ver qual a temperatura que estava na Ericeira 5ºC e em Lisboa 3ºC. Estranho normalmente a Ericeira é sempre mais fria... Realmente depois de passar a zona de Montachique o nevoeiro desapareceu e até estava um dia aparentemente agradável para correr não fosse estar um pouco de vento. Foi bastante difícil sair do carro de pernoca ao léu para ir levantar os dorsais. Bati o dente. Começamos a ver mais uns quantos Vicentes a caminho do levantamento de dorsais e todos nos encontramos depois do controlo 0 para a foto da praxe.



A hora marcada é dada a partida e la seguimos  junto a praia. Uma das coisas que eu tenho algum pavor são arribas e uma das razões por não me ter inscrito logo nesta prova tinha a ver com isso mesmo. Pensar que por ser junto ao mar e na zona da Ericeira que iriam haver arribas de certeza. No entanto tranquilizaram-me e disseram-me que isso não ia acontecer. E o que é facto é que não aconteceu... Que alivio... Esta prova era bastante rolante e com muito alcatrão.

Resolvi ir devagarinho para não abusar mas mesmo assim o tornozelo deu sinais de fragilidade e doía-me em algumas posições o que fez com que tivesse de caminhar bastantes vezes, especialmente quando encontrava terreno mais instável. Eu que quando vejo uma descida me atiro como se não houvesse amanhã desta vez tive de me conter porque senti muita insegurança no tornozelo. Acabei por perder demasiado tempo assim com medo de me magoar e andar para trás na recuperação.

No que diz respeito ao percurso não me cativou particularmente porque pese embora adore praia e mar prefiro trilhos campestres. Além disso preferia que tivessem dado privilegio aos trilhos ao invés do alcatrão. No entanto tendo em conta a zona onde iria decorrer percebo que as opções fossem um pouco limitadas.

No que diz respeito a abastecimentos pareceu-me perfeitamente suficiente um abastecimento solido para a prova curta e a semelhança do que a Horizontes já nos tem vindo a habituar não desiludiu. No meu entender tinha tudo o que era preciso para dar forças para terminar a prova. Aqui podem ver a minha cara de felicidade ao chegar ao abastecimento:

Obrigado pela foto De Sedentário a Maratonista 

Cheguei ao fim com 3:30h depois de ter sérias dificuldades a descer a escadaria da Ribeira d'Ilhas.

Aqui está um video espectacular do JP Amador que atesta a minha chegada:



No final novo reencontro com os restantes elementos do Correr Lisboa para troca de impressões e uma ida ao abastecimento da meta para recargar energias.

No dia seguinte acordei não com dores musculares mas sim com uma valente constipação mas que tão rápido como chegou se foi embora.

Boas Festas e até uma qualquer S. Silvestre por ai.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Estou de volta... mas com calminha :)

Ao fim de quase um mês de silêncio regresso a acção. A verdade é que esta minha ausência tem a ver com o facto de não ter grandes coisas para vos contar. A lesão que tive nos Trilhos de Casainhos ainda está bem presente. Estive 3 semanas sem correr e nesse período fui aproveitando para fazer reforço muscular, essencialmente exercícios para abdominais e pernas. Já voltei a correr mas sinto-me uma mariquinhas. O tornozelo ainda está ainda um pouco instável porque a lesão não foi só na tibio-tarsica mas também no tendão peronial externo. Só o tempo e exercícios de propriocepção é que vão trazer algumas melhorias. A propriocepção é a percepção de posicionamento que o corpo tem no espaço, também conhecido como cinestesia. É isto que vou ter de fazer na fisioterapia.

Participei na Meia Maratona dos Descobrimentos. Estive vai não vai para não por la os pés mas acabei por ir. O tornozelo não me doeu mas como ando bastante mariquinhas porque ainda sinto alguma instabilidade estava com algum receio. Desta vez custou-me um bocadinho também muito derivado a falta de treino. Mesmo com a quase completa ausência de treinos e um pé ainda feito num oito consegui baixar 2 minutos ao meu melhor tempo na 1/2 maratona e terminar com o tempo de 2:17:14. Nada do qual me possa vangloriar grandemente mas é o que se arranja.

Por hoje é tudo. Apenas vos queria deixar nota que não desapareci apenas me ausentei temporariamente. 

Conto nos próximos dias fazer-vos um update mais recheado de novidades.


Até lá Boas Corridas :)

E já sabem:


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Os "não" Trilhos de Casainhos ou o trail mais curto de todos os tempos

Aqui estou eu para relatar a minha grande aventura nos VI Trilhos de Casainhos. Não sei bem se grande será a palavra correcta mas já lá vamos...

Esta prova é organizada pelo Sporting Clube de Casainhos uma localidade do Concelho de Loures. A prova tinha partida marcada para as 10:45 pelo que havia tempo mais que suficiente. Dava para acordar a tempo e horas e ir tranquilamente. Chegados ao Clube estacionamos o carro e seguimos para levantar os dorsais. Já lá estava a Verónica e o António que gentilmente nos levantaram os dorsais. Pouco antes da partida cai uma chuva torrencial. Todos se abrigaram onde era possível. Estava perfeitamente descontraída quanto a esta prova. Eram só 16 Km e a chuva e lama não me assustam. Antes pelo contrário.

As 10:45 é dada a partida e seguimos por uma piscina gigante até iniciarmos uma pequena volta pelas ruas de Casainhos entramos depois em trilhos muito estreitos e totalmente enlameados. A patinagem começou. Para além da lama havia muita pedra o que fazia com que se avança-se com precaução. A prova estava a correr-me bem. Passo num cruzamento onde avisto algum pessoal que por um motivo outro não pode participar na prova: Caldeirinha, Verónica, Marco Borges... Faço adeus e a pose para a foto. 
Foto M_F_Borges-Runners-Photos
Cerca de 1 Km a frente acontece o pior. Escorrego numa pedra enlameada e caio num desnível, tendo aterrado com o lado de fora do pe no meio de silvas. Imediatamente ouvi o tão conhecido som a qual os meus ouvidos já se têm vindo a habituar desde os tempos da ginástica... Creckkkk... Ups já foste... Pensei eu... O pior é que não me conseguia levantar... Começou a criar-se uma enorme fila atrás de mim e eu ali esborrachada no chão sem me conseguir por de pé. Muita gente passou por mim perfeitamente indiferente a situação. Até que chegam os meus anjos da guarda. Não consegui fixar o nome deles tal era o meu estado de transe. Primeiro problema com que se depararam: o dorsal não tinha o número da organização. Então estes bons camaradas resolveram levar-me até a estrada onde pensavam eles que talvez estivesse alguém da organização. Carregaram-me em ombros ao estilo cadeira. Coitados imagino o esforço. A lama e pedra escorregadia continuavam e eu não sou propriamente um peso pluma pelo que já se estavam a ver em dificuldades. Tiveram de parar várias vezes para deixar passar as restantes pessoas que seguiam atrás. Muito pessoal conhecido passava por mim e deixava-me uma palavra de consolo. Obrigado a todos pela força. 

Os meus anjos da guarda lá me conseguiram carregar ate que apareceu uma moto 4 da organização que me ajudou a chegar mais rapidamente a ambulância dos Bombeiros. Fui logo deitada na maca e enfiaram-me na ambulância. Os Bombeiros Voluntários de Fanhões fizerem tudo como manda o protocolo. Tiraram a temperatura, mediram a tensão arterial, as pulsações e os o nível de glicemia. Tudo  OK. Olharam para as minhas feridas nos braços e pernas e rimo-nos. 

 - "Bem vamos lá então despachar a coisa, por ai uma ligadura bem apertada e gelo e levem-me de volta a partida se faz favor que eu ainda quero ir ao almoço da prova. Desisti mas tenho direito a feijoada."
- "Pois, não me parece que vás."

Tiraram-me o sapato e a meia e o meu pé parecia uma bola de futebol. 

- "Achamos que tens o pé partido e por via das duvidas tens de ir ao hospital para fazer um RX."
- "Mas esperem amigos, eu consigo mexer os dedinhos dos pés."
- "Pois isso não interessa, vais para o Hospital e mais nada... "

E lá fui... Sem documentos de identificação, sem telemóvel, apenas eu e a minha roupa encharcada. Pedi a um dos Bombeiros que alertasse a organização para que assim que o Xico chegasse lhe explicassem o sucedido e lhe dissessem que eu estava no Hospital. Ele disse que sim mas tinha de me fazer a tala no pé antes de me levarem. Depois de porem aquela traquitana no pé a ambulância entra em andamento a fazer tinoni... Essa é que não. Já não basta ter de ir para o hospital ainda ir com a ambulância a apitar. Devia estar mesmo mal. Para ajudar a festa pedi ao bombeiro se me podia virar ao contrario, por a cabeça para o lado da porta porque estar deitada com a cabeça para o volante estava a deixar-me um pouco mal disposta. Não me deixou. Pedi para me levantar. Também não me deixou. Raios. Finalmente chego ao Beatriz Ângelo. Toca a despachar que quero voltar para a meta e ainda almoçar. Sigo para a triagem. Para dizer a verdade o pé doia-me para chuchu para nada de dar parte de fraca. Na triagem dizem: 

- "Provavelmente está partido menina"
- "Merdaaaaaa... Será possível? Isto não me pode estar a acontecer. Não está partido... Não está partido... Não está partido..."

Repetia eu. Não queria acreditar. Lá fui fazer o RX e apareceu o Xico que estava com ar preocupado. Esperei, esperei, esperei, esperei... quase 4 horas de martírio até finalmente o médico me dizer que não estava partido. ALELUIAAAA. Levei 2 injecções e fui alertada que tinha de ir levar a vacina do tétano dentro de 3 dias uma vez que estava cheia de feridas e que devia ter levado o reforço em 2010...

Assim fiz e hoje la fui ao Centro de Saúde de Sete Rios levar a pica.

Ao fim de 4 dias o pé ainda está roxo e ainda me doi um pouco mas já está muito menos inchado. Em breve já estarei operacional.

Não pensem que eu sou uma pessoa de desistir. Mantenho os mesmos objectivos no horizonte. Não é uma pequena queda que me vai derrubar. 


Este episódio fez-me concluir que a decisão sobre os passos que damos é quase sempre irracional. Num dia as coisas podem correr como idealizamos e de um momento para o outro tudo muda. A vida é frágil e o corpo é o bem mais precioso que temos. Mas também reconheço que se não arriscarmos e fizermos aquilo que a mente e o corpo pedem também não somos felizes. Se não o fizermos seremos escravos do nosso dia-a-dia monótono e nunca iremos realizar os nossos sonhos. A vida é curta demais e devemos vive-la intensamente.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Novidades Quentes e Boas

Os próximos meses já estão a ser delineados para irem de encontro ao desafio que me espera em Junho de 2015.

Aqui estão as provas escolhidas para me ajudarem a chegar ao Oh Meu Deus K70 o mais bem preparada possível.

Proença-a-Nova Ultra Trail 40+(Janeiro), Vila Velha de Rodão Ultra Trail 40+ (Fevereiro), Vila de Rei Ultra Trail 60+ (Março) e Sertã Ultra Trail 40+ (Abril)
 
Ultra Trail de São Mamede 42 Km (Maio)
 Acho que escolhi bem :)